13:41 24 Janeiro 2021
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    Durante as últimas décadas, os cientistas aprenderam que estes peixes cartilaginosos, também chamados de quimeras ou tubarões-fantasma, têm habitado o oceano por vários milhões de anos.

    Além de pertencerem a uma espécie bastante antiga no planeta, os cientistas também descobriram que estas estranhas criaturas possuem espinhas venenosas em suas barbatanas dorsais e "voam" na água, batendo suas barbatanas peitorais, segundo o The New York Times.

    Os tubarões-fantasma podem ser encontrados em todos os oceanos, exceto nas regiões do Ártico e Antártica. Na verdade, apesar do seu nome, este peixe não é realmente um tubarão, apesar de ser da mesma "família". Contrariamente aos seus "primos", as quimeras são cegas, têm uma longa e fina cauda e dentes frontais em crescimento contínuo, o que lhes confere uma aparência de camundongo.

    Outro aspeto peculiar descoberto foi o fato de os machos possuírem um órgão genital retrátil na cabeça. Há, no entanto, ainda muito por descobrir sobre estas criaturas.

    Os cientistas do Grupo Especialista em Tubarões, uma divisão da União Internacional para a Conservação da Natureza, avaliou recentemente os riscos para todas as espécies existentes de tubarão-fantasma, determinando que cerca de 16% das mesmas estão "ameaçadas" ou "quase ameaçadas", indica o artigo. Na avaliação avaliação publicada no jornal Fish and Fisheries, foi revelado que cerca de 15% das espécies de tubarão-fantasma são tão pouco estudadas que não é possível calcular seu risco de extinção, o que preocupa a comunidade científica, pois pode perder uma espécie antes de ter tido a oportunidade de a estudar.
    Tubarão-fantasma observado a quase 2 mil metros de profundidade. Esta espécie poderá estar correndo sério risco de se extinguir antes de conseguir ser estudada pelos cientistas
    © Foto / Te Papa/Massey University
    Tubarão-fantasma observado a quase 2 mil metros de profundidade. Esta espécie poderá estar correndo sério risco de se extinguir antes de conseguir ser estudada pelos cientistas

    Quase metade das espécies conhecidas deste peixe foram descobertas só nas duas últimas décadas. Na verdade, segundo David Erbert, diretor do Centro de Pesquisa de Tubarões do Pacífico, dos Laboratórios Marinhos Moss Landing, na Califórnia, e coautor da avaliação, "só agora é que estamos percebendo de que há mais criaturas destas [no oceano] do que pensávamos".

    O dr. Ebert foi responsável por 11 das 52 descobertas de espécies de tubarão-fantasma e é um dos poucos cientistas que estuda esses animais no momento. No entanto, garantir fundos para apoiar a pesquisa tem sido um enorme desafio.

    "As quimeras não têm grande valor comercial, logo não há muito interesse em apoiar a pesquisa sobre elas [...] De igual modo, são difíceis de encontrar e de estudar", disse Brit Finucci, cientista do Instituto Nacional da Água e Pesquisa Atmosférica da Nova Zelândia e autor principal da avaliação.

    Na maioria das vezes, os tubarões-fantasma são apanhados por redes de arrasto. Embora sua carne seja comestível, a maioria de seu valor comercial vem de seu fígado, que contém um óleo conhecido como squalene, que é utilizado na fabricação de vários produtos farmacêuticos e cosméticos.

    Porém, caso as frotas de pesca continuem lançando suas redes nas águas mais profundas, os cientistas temem que os tubarões-fantasma possam desaparecer sem antes terem a possibilidade de ser salvos.

    Deste modo, os autores argumentam que a única maneira de prevenir a extinção destes animais está dependente do interesse na sua pesquisa, bem como de medidas mais exigentes de monotorização da pesca de tubarões-fantasma.

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    Tags:
    ciência, extinção, perigo, espécies, oceano, tubarão
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