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    O estudo das múmias de babuínos descobertas no Egito, na África, elucidou a localização do reino africano há muito esquecido, conhecido como Reino de Punte.

    O Reino de Punte foi um dos principais parceiros comerciais do antigo Egito, fornecendo incenso, ouro, peles de leopardo e babuínos sagrados. Há mais de 150 anos, os cientistas seguem discutindo a localização do reino perdido.

    Uma equipe de pesquisadores pode ter resolvido o enigma ao identificar a origem geográfica de 155 babuínos mumificados, recuperados de túmulos e templos egípcios antigos, a partir de 77 diferentes lugares entre a África Oriental e o sul da Arábia Saudita. Os resultados foram publicados na revista científica eLife.

    O estudo focou em múmias do período do Império Novo (de 1550 a 1069 a.C.) e do Período Ptolomaico (de 305 a 30 a.C.). As espécies foram fornecidas pelo Museu Britânico e pelo Museu Petrie de Arqueologia Egípcia da Universidade de Londres (UCL), no Reino Unido.

    "Muitos cientistas veem o comércio entre o Egito e Punte como o primeiro passo marítimo para rede comercial conhecida como a rota das especiarias, que desenvolveu fortunas e sorte geopolítica por milênios", comentou Nathaniel J. Dominy, chefe de pesquisa e professor de antropologia da Faculdade de Dartmouth, nos EUA.

    "Outros cientistas dizem isso mais simples, descrevendo as relações entre Egito e Punte como o início da globalização econômica. Os babuínos eram centrais nesse comércio, então a determinação de localização do antigo reino é importante", explicou Dominy.

    O novo estudo é o primeiro a observar que babuínos mumificados podem prover dados importantes para discussão sobre localização do reino perdido.

    Espécime EA6736 recuperado do Templo do Novo Reino de Tote e acessado no Museu Britânico
    © CC BY-SA 4.0 / Curadores do Museu Britânico
    Espécime EA6736 recuperado do Templo do Novo Reino de Tote e acessado no Museu Britânico

    Os pesquisadores analisaram isótopos de oxigénio e estrôncio, encontrados em restos embalsamados, para determinar que os babuínos provavelmente vieram de uma área que hoje cobre territórios modernos da Etiópia, Eritreia, Djibuti, Somália e do Iêmen.

    A análise também revelou que pelo menos cinco babuínos estudados residiram no Egito em um tempo anterior ao de sua morte, o que significa que egípcios executaram um programa de reprodução em cativeiro.

    Outros dois babuínos nasceram fora do Egito, e provavelmente vieram da Etiópia, Eritreia, ou da Somália, limitando a área de localização de Punte.

    ​O reino, há muito tempo perdido, pode ter sido encontrado devido aos restos mortais de babuínos mumificados.

    Os animais são da espécie Papio hamadryas e desempenharam um importante papel no Egito antigo, pois eram considerados sagrados para o deus egípcio Tote, deus da Lua e da sabedoria.

    No entanto, os cientistas afirmaram que a localização do Reino de Punte ainda permanece provisória.

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    Tags:
    antropologia, cientistas, enigma, múmia, Egito, egiptologia
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