05:17 01 Março 2021
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    Pesquisa com alguns peixes fracamente elétricos, que habitam uma área remota da região do rio Amazonas, no Brasil, revelou detalhes inesperados e desconhecidos sobre sua comunicação e comportamento.

    No estudo, publicado na revista científica Frontiers, os cientistas estudaram uma espécie extremamente rara do chamado peixe-espada fracamente elétrica. A espécie em questão, Eigenmannia vicentespelaea, contém aproximadamente 300 membros vivos.

    A espécie se adaptou a viver no escuro, após evoluir dos seus parentes que vivem na superfície (Eigenmannia trilineata) do lado de fora da caverna onde são encontrados.

    Estudo do peixe Eigenmannia vicentespelea
    Estudo do peixe Eigenmannia vicentespelea

    Os Eigenmannia vicentespelea perderam seus olhos e pigmentação, porém, ganharam órgãos elétricos um pouco mais poderosos do que os seus parentes da superfície. Desta forma, detectam com maior facilidade suas presas e se comunicam melhor na escuridão absoluta.

    De fato, o estudo revelou que estes peixes elétricos são capazes de interagir entre si a distâncias maiores do que se esperava, detalhou o portal Phys.org.

    "Curiosamente, nossas análises de seus campos elétricos e movimento mostram que a espécie pode se comunicar a distâncias de metros, o que é muito para peixes que medem aproximadamente dez centímetros de comprimento", afirmou Eric Fortune, autor principal do estudo e biólogo do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey, nos Estados Unidos.

    Estes peixes, fracamente elétricos, acessam um canal especial para trocar mensagens de longa distância através das mudanças na amplitude dos sinais elétricos enviados entre eles. Eles são capazes de perceber estas mensagens sociais e alterar o comportamento dos demais a diversos metros de distância.

    "Basicamente, nossa evidência mostra que os peixes estão se comunicando através da eletricidade usando um canal secreto oculto e modulações de amplitude que surgem através da associação de seus sinais elétricos. Assim como o funcionamento de um rádio AM, que depende da amplitude de modulações de um sinal de rádio", explicou Fortune.

    Além disso, os dados revelaram a intensidade das descargas elétricas nos animais que vivem nas cavernas, a mesma era aproximadamente 1,5 vezes maior que a dos peixes de superfície.

    Pesquisadores na entrada do sistema da gruta de São Vicente, Brasil
    Pesquisadores na entrada do sistema da gruta de São Vicente, Brasil

    Os peixes das cavernas também possuem órgãos elétricos relativamente maiores que seus companheiros da superfície, esse fato poderia explicar sua fonte de energia elétrica adicional.

    A pesquisa também mostrou que devido a troca dos olhos por uma maior percepção elétrica, os Eigenmannia vicentespelea, eram mais sociais e territoriais em todos os momentos do dia, ao contrário de seus parentes da superfície, que dormem durante o dia e buscam comida à noite.

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    Tags:
    cientistas, estudo, descoberta, Brasil, Amazônia, peixes, espécies
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