08:14 20 Janeiro 2021
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    Investigadores da Universidade Estadual do Arizona, EUA, relataram que os jacarés norte-americanos, à semelhança de outros répteis, conseguem regenerar suas caudas, mas a um nível mais limitado.

    Tal como os lagartos, jacarés podem recuperar suas caudas perdidas, descobriram cientistas da Universidade Estadual do Arizona (ASU, na sigla em inglês), EUA.

    Embora essa capacidade nos jacarés norte-americanos (Alligator mississippiensis) esteja restringida a membros jovens da espécie, esses animais podem recuperar até 23 centímetros de sua cauda, ou 18% do comprimento total de seu corpo, escreve o portal Phys.org.

    As caudas recuperadas são visivelmente identificadas pela coloração das escamas, padrões densos de escama e falta de escamas dorsais.

    A equipe de pesquisadores também descobriu no estudo, que foi publicado na revista Scientific Reports, que, ao contrário dos lagartos, que recuperam seus músculos, os jacarés não podem se dar ao luxo de gastar tanta energia, já que foi demonstrado que reduz as taxas de crescimento em lagartos pequenos.

    "A cauda recuperada do jacaré é suportada por um tubo de cartilagem não segmentado em vez de osso [...]. Não tinha músculo esquelético e apresentava tecido conjuntivo cicatrizado povoado de nervos e vasos sanguíneos", explicou Cindy Xu, bióloga celular da ASU e primeira autora da pesquisa, no Twitter.

    Outra diferença relativamente a répteis menores é que não podem realizar autoamputação em suas caudas para fugir. Em vez disso, o dano à cauda dos A. mississippiensis resulta de lutas por território, canibalismo de indivíduos maiores ou interações com humanos, por exemplo, após contato com lâminas de motor.

    A cauda de jacaré regenerada é diferente da cauda original. As escamas de crocodilo recuperadas são densamente dispostas e carecem de escamas dorsais (canto superior direito). Um tubo de cartilagem não segmentado (em amarelo) substitui o osso (em bronzeado) na cauda recuperada do jacaré. Além disso, a cauda regenerada carece de músculo esquelético (em vermelho) e, em seu lugar, há uma abundância de tecido conjuntivo fibroso (em rosa)
    Cauda recuperada de jacaré

    No entanto, a recuperação de cartilagens, vasos sanguíneos, nervos e escamas é semelhante ao que se vê nos lagartos. "As caudas de jacarés americanos jovens apresentam características tanto de regeneração quanto de reparação de feridas", comenta Xu.

    Os jacarés descendem, junto com pássaros, de um ancestral de há 245 milhões de anos, e há também evidências fossilizadas de um antigo crocodiliano do período Jurássico (entre 201,3 milhões e 145 milhões de anos atrás), levando Kenro Kusumi, cientista biomédico da ASU, a questionar como a maior parte da habilidade de regeneração foi perdida nessa espécie de jacarés.

    A investigação do assunto também pode levar a frutos práticos em humanos, aponta Rebecca Fisher, anatomista da ASU.

    "Se entendermos como diferentes animais são capazes de reparar e regenerar tecidos, este conhecimento pode então ser aproveitado para desenvolver terapias médicas", sugere.

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