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    A notícia de que o Arecibo, um dos maiores radiotelescópios do mundo, será desmontado comoveu a comunidade científica.

    Agora, a pergunta é se o recentemente construído telescópio chinês FAST será capaz de ocupar o lugar do Arecibo na busca de vida extraterrestre e outras missões importantes da exploração espacial.

    Em agosto, o telescópio norte-americano Arecibo, situado em Porto Rico, foi danificado por uma tormenta tropical e, em novembro, pelo rompimento de um cabo de 16 toneladas, tornando impossível a reparação do aparelho.

    O telescópio foi usado por cientistas de todo o mundo para diversos fins, tais como a observação de objetos espaciais e a busca de vida inteligente, tendo emitido o primeiro sinal de rádio interestelar, destinado a ser captado por eventuais civilizações fora de nosso planeta. Suas últimas descobertas foram os misteriosos sinais espaciais detectados em 2016.

    O chefe de um dos laboratórios do Arecibo, o professor Abel Méndez, salientou em uma entrevista ao portal Business Insider que, com a perda do radiotelescópio, os Estados Unidos perderam a oportunidade de implementar seu projeto de busca de vida extraterrestre.

    O único telescópio adequado para este propósito, segundo o especialista, agora seria o FAST, gigantesca estrutura esférica de 500 metros de abertura, em serviço na China desde 2016.

    Vista aérea do Telescópio de Abertura Esférica de 500 metros (FAST) no remoto condado de Pingtang, na província de Guizhou, sudoeste da China, 24 de setembro de 2016
    © AP Photo / Liu Xu / Xinhua
    Vista aérea do Telescópio de Abertura Esférica de 500 metros (FAST) no remoto condado de Pingtang, na província de Guizhou, sudoeste da China, 24 de setembro de 2016

    Porém, alguns cientistas consideram que o FAST chinês não vai poder substituir completamente o Arecibo, porque este último era único devido à sua localização e equipe técnica.

    "O Arecibo estava 7,5 graus mais próximo do Equador, o que permitia que a maior parte do céu fosse visível conforme a Terra girava. O Arecibo também tinha um alcance de operação mais amplo para poder trabalhar como parte de redes internacionais", comentou à Sputnik o membro da União Astronômica Internacional e pesquisador do Instituto de Astronomia Aplicada da Academia Russa de Ciências, Yuri Bondarenko.

    Porém, os especialistas afirmam que o futuro da astronomia não está em um instrumento em particular, mas em uma rede de radiotelescópios.

    "As observações radioastronômicas realizadas como parte de um grupo internacional de radiotelescópios, unidos em uma rede de interferometria de base longa [VLBI, na sigla em inglês], são as que têm hoje em dia maior valor científico. Isto permite aumentar significativamente a resolução e a sensibilidade deste instrumento combinado", salientou.

    O Arecibo participou regularmente das observações dessas redes internacionais de VLBI.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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