21:10 05 Dezembro 2020
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    Ao usar dados do VLA Sky Survey (VLASS), projeto que pesquisa o céu visível, astrônomos encontraram várias galáxias distantes com buracos negros supermassivos em seus núcleos, que têm lançado jatos de material poderosos e que emitem ondas de rádio, nas últimas duas décadas ou mais.

    Os cientistas compararam os dados do VLASS com os dados de uma pesquisa anterior, na qual também foi utilizado o Very Large Array (VLA) - um levantamento de dados astronômicos do hemisfério norte, resultando em uma espécie de catálogo astronômico - da Fundação Nacional de Ciência Karl G. Jansky. Os resultados desta comparação e pesquisa foram publicados na revista The Astrophysical Journal.

    "Encontramos galáxias que não mostravam evidências de jatos antes, mas agora mostram indicações claras de terem jatos compactos e jovens", disse a Dra. Kristina Nyland, pós-doutoranda do Conselho Nacional de Pesquisa (NRC, na sigla em inglês) em exercício no Laboratório de Pesquisa Naval.

    "Jatos como esses podem afetar fortemente o crescimento e evolução de suas galáxias, mas ainda não entendemos todos os detalhes. Capturar jatos recém-nascidos com pesquisas como VLASS fornece uma perspectiva do papel dos poderosos jatos de rádio na determinação da vida das galáxias ao longo de bilhões de anos", disse Nyland.

    VLASS: o que é e para que serve?

    O VLASS é um projeto que pesquisa o céu visível a partir do VLA – cerca de 80% de todo o céu – por três vezes em sete anos.

    As observações começaram em 2017, sendo que a primeira das três pesquisas está agora concluída. Nyland e seus colegas compararam os dados dessa pesquisa com os dados da pesquisa FIRST (Imagens Esbatidas de Rádio do Céu a 20 centímetros, traduzido do inglês), que usou o VLA para observar uma parte menor do céu entre 1993 e 2011.

    Eles encontraram cerca de dois mil objetos que aparecem nas imagens do VLASS, mas que não foram detectados na anterior pesquisa FIRST. Destes, foram selecionados 26 objetos que anteriormente foram categorizados como galáxias com núcleos ativos – alimentadas por buracos negros supermassivos – através de observações ópticas e infravermelhas.
    Imagem de três galáxias flagradas pelo VLA
    Imagem de três galáxias flagradas pelo VLA

    As observações FIRST dos 26 objetos foram feitas entre 1994 e 2001, enquanto as observações do VLASS foram feitas em 2019. Portanto, os intervalos entre as observações dos objetos variam de 18 a 25 anos.

    Os astrônomos escolheram 14 dessas galáxias para observações mais detalhadas com o VLA, que acabaram por fornecer imagens de alta resolução, e também foram feitas em múltiplas frequências de rádio, para obter uma compreensão mais completa das características dos objetos.

    Qual a verdadeira importância desta descoberta?

    "Os dados destas observações detalhadas indicam que a causa mais provável da diferença no brilho das ondas de rádio entre as observações FIRST e VLASS é que os 'motores' nos núcleos dessas galáxias lançaram novos jatos desde as observações FIRST", explicou Dillon Dong, da Caltech.

    Os buracos negros nos núcleos das galáxias são conhecidos por interagir com as próprias galáxias, e logo tendem a evoluir juntos. Os jatos lançados das regiões próximas aos buracos negros podem afetar a quantidade de formação de estrelas dentro da galáxia.

    "Os jatos de rádio fornecem laboratórios naturais para aprender sobre a física extrema dos buracos negros supermassivos, cuja formação e crescimento se acredita estarem intrinsecamente ligados aos dos centros das galáxias em que residem", disse Pallavi Patil, da Universidade da Virgínia.

    Nyland conclui que os jovens jatos recentemente descobertos "podem nos fornecer uma rara oportunidade de obter novo conhecimento sobre como as interações entre os jatos e o meio em seu redor funcionam".

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    Tags:
    descoberta, astronomia, Cosmos, universo, buracos negros, galáxias
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