18:40 24 Novembro 2020
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    Uma guerra catastrófica, com grandes efeitos nos países beligerantes, e provavelmente em outros, seria um forte choque para a alimentação mundial, mas estudo mostra uma saída.

    A humanidade pode sobreviver a um inverno nuclear à base de uma dieta de pesca, mas seria necessário preservar reservas de pesca global para isso, afirma estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America.

    Segundo a pesquisa relatada no portal The Conversation, a perda mundial de peixe marinho seria menor que o previsto, um máximo de 30% em caso de uma grande guerra nuclear entre EUA e Rússia.

    A equipe de cientistas internacionais usou um modelo climático com equações matemáticas que estimam como o crescimento do plâncton e a temperatura da água influenciam as populações de peixes. O modelo também estimou o impacto das frotas pesqueiras em volta do oceano global.

    Os pesquisadores referem que os céus mais escuros e a redução de temperaturas reduziriam a fotossíntese do plâncton e algas nas águas mundiais, e consequentemente o crescimento das populações de peixes, embora o efeito variasse entre as regiões.

    Fósseis de peixes achados no depósito de Tanis, no estado norte-americano da Dakota do Norte
    © Foto / Robert DePalma
    Fósseis de peixes achados no depósito de Tanis, no estado norte-americano da Dakota do Norte

    Mesmo países mais dependentes da agricultura veriam suas colheitas reduzidas, o que por sua vez aumentaria a pressão nas populações de peixes. Em grande parte, os estoques pesqueiros de hoje já estão fortemente esgotados, por isso é importante uma pesca bem regulamentada como no Alasca, EUA, e na Nova Zelândia, advertem os autores do estudo.

    Efeitos de um conflito nuclear

    Além do efeito na pesca, as consequências de um inverno nuclear aos países beligerantes, e provavelmente ao mundo inteiro, incluem a redução da produção global de milho, trigo, arroz e soja em cerca de 10% por cinco anos, apenas com um conflito entre Índia e Paquistão, diz a equipe de pesquisadores.

    Isso seria "um desastre potencial para a segurança alimentar global", comentam Eric Galbraith, professor da Universidade McGill, Canadá, e Kim Scherrer, doutoranda na Universidade Autônoma de Barcelona, Espanha, coautores do estudo e do artigo no The Conversation.

    Os cientistas referem também o exemplo do início da pandemia provocada pelo SARS-CoV-2, no qual mesmo em países desenvolvidos se assistiu a um temporário esvaziamento de prateleiras para certos produtos.

    No entanto, se a pesca for bem gerida antes de uma guerra nuclear hipotética, as capturas globais de peixe poderiam potencialmente quadruplicar por um a dois anos e substituir temporariamente quase metade da atual produção de proteína animal, teorizam os cientistas. Apesar disso, "mesmo o maior aumento possível de capturas de peixes não conseguiria compensar as perdas na agricultura em terra" em termos de calorias.

    Assim, a equipe apela à continuação da criação de zonas de pesca bem geridas para pelo menos compensar parcialmente os efeitos catastróficos em um eventual fornecimento mundial da alimentação, "sejam causados por uma guerra nuclear, uma erupção vulcânica, ou uma pandemia global".

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    Tags:
    Nova Zelândia, Alasca, Rússia, EUA, Paquistão, Índia, Canadá, Espanha
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