09:10 28 Novembro 2020
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    Cientistas de uma equipe internacional analisaram asteroides do Planeta Vermelho, e relataram as possíveis hipóteses da origem de um deles, que pode incluir uma parte da Lua.

    Astrônomos do Observatório e Planetário Armagh (AOP, na sigla em inglês) do Reino Unido relataram em comunicado que o asteroide troiano (101429) 1998 VF31, que orbita Marte, pode ser um remanescente da Lua.

    Os asteroides troianos são corpos celestes que se localizam em regiões gravitacionalmente equilibradas do espaço nas proximidades de outros planetas, encontrados a 60 graus na frente e atrás de cada planeta. A maior parte desses asteroides conhecidos voam em torno da Terra, de Marte, e principalmente de Júpiter.

    Cientistas da Itália, Bulgária e EUA, que publicaram os dados do estudo na revista Icarus, usaram um espectrógrafo chamado X-SHOOTER do telescópio VLT de 8 metros do Observatório Europeu do Sul no Chile para examinar como a luz solar reflete o asteroide 101429 e seus análogos no Sistema Solar.

    Após comparar o espectro entre esses diferentes corpos celestes, o 101429 não se encaixou muito bem em nenhuma categoria de asteroide ou meteorito.

    "O espectro deste asteroide em particular parece ser quase um ponto morto para partes da Lua onde há rochas expostas, tais como nos interiores de crateras e montanhas", explica Galin Borisov, astroquímico do AOP.

    Em defesa dessa teoria, Apostolos Christou, o autor principal do estudo, diz que o Sistema Solar era bastante diferente nos seus primórdios, com colisões comuns criando destroços, que poderiam ter começado a orbitar Marte no seu processo de formação.

    Representação do planeta Marte e seu cortejo de asteroides troianos circulando ao redor dos pontos L4 e L5 Lagrangianos. A curva delineada traça a órbita do planeta. Na L5, o asteroide 101429 é representado pelo ponto azul, e o asteroide Eureka e sua família são representados em vermelho e âmbar, respectivamente
    Imagem do planeta Marte e cortejo de asteroides troianos circundando os pontos Lagrangianos

    A equipe de pesquisadores especula também que o 101429 pode ser "apenas outro asteroide, semelhante talvez aos meteoritos condritos comuns, que adquiriram sua aparência lunar através de eras de exposição à radiação solar em um processo chamado "meteorização espacial", aponta Christou.

    Resposta seria óbvia

    Por fim, os astrônomos teorizam que o asteroide pode mesmo ter vindo de Marte, considerando essa hipótese a mais provável.

    "A forma do espectro do 101429 nos diz que ele é rico em piroxênio, um mineral encontrado na camada externa ou na crosta de corpos do tamanho de um planeta. Marte, assim como a Lua e a Terra, foi atingido por impactos no início de sua história", relatam.

    "Um deles foi responsável pela gigantesca bacia Boreal, uma cratera tão ampla quanto o próprio planeta. Um impacto tão colossal poderia facilmente ter enviado 101429 a caminho do ponto L5 Lagrangiano do planeta."

    Os cientistas recordam que alguns anos atrás foi proposto que os asteroides Eureka apresentavam origens marcianas.

    Novas observações com espectrógrafos ainda mais poderosos poderiam ser capazes de lançar mais luz sobre esta questão, em conjunto com uma eventual visita com uma nave espacial, que "poderia, a caminho dos troianos, obter espectros em Marte ou na Lua para comparação direta com os dados dos asteroides", indicam no estudo.

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    Tags:
    Júpiter, Marte, Terra, Reino Unido, EUA, Bulgária, Itália
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