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    Estima-se que todo ano cerca de 200 milhões de pessoas contraem malária, doença que fez quase 400 mil vítimas em 2018. Cientistas agora estão um passo mais perto de entender por que é tão difícil de erradicar essa doença.

    O Plasmodium falciparum, o parasita mais mortal da malária, tem um mecanismo genético distinto que o permite se esconder na corrente sanguínea dos portadores sem ser detectado por até seis meses antes da estação chuvosa, descobriu um novo estudo publicado na segunda-feira (26) na revista científica Nature Medicine.

    Parasita mais mortal

    A malária é causada por cinco espécies do parasita Plasmodium, sendo a mais mortal o P. falciparum. O parasita infecta os glóbulos vermelhos humanos e se replica dentro deles, causando sintomas como febre e dores musculares.

    A maioria dos casos de malária ocorre durante a estação chuvosa. Dessa forma, o P. falciparum se replica durante esses meses, porque os mosquitos que podem transmitir a doença de pessoa para pessoa são abundantes.

    Especialistas da organização internacional Médicos sem Fronteiras em campanha contra a malária na República Centro-Africana
    © AFP 2020 / Andoni Lubaki
    Especialistas da organização internacional Médicos sem Fronteiras em campanha contra a malária na República Centro-Africana

    O que os cientistas até agora não sabiam é como o parasita responde durante a estação seca de quase seis meses, quando os mosquitos são raros. O estudo que ajuda a responder a essa pergunta foi um trabalho multinacional, com pesquisadores da Dinamarca, França, Alemanha, Mali, Portugal, Suécia, Reino Unido e EUA, liderado por Silvia Portugal, do Instituto Max Planck de Biologia de Infecções, Alemanha.

    Modificação genética

    Os cientistas descobriram que o P. falciparum altera a expressão do gene de uma forma que o ajuda a sobreviver sem ser detectado na corrente sanguínea humana, pronto para explodir novamente quando as chuvas voltarem.

    "O que o parasita encontrou aqui é uma espécie de ponto ideal", afirma Silvia Portugal, citada pelo portal New Scientist. Durante a estação seca, permanece em níveis tão baixos que raramente causa quaisquer sintomas de doença ou desencadeia uma resposta do sistema imunológico da pessoa.

    "Para alcançar algo próximo à eliminação da malária, não será suficiente focar apenas nas pessoas que adoecem […] Se pudéssemos limpar os reservatórios durante a estação seca e reduzir a quantidade de parasitas que temos quando os mosquitos retornam, isso poderia ser uma intervenção", acrescenta Silvia Portugal.

    Viagem ao baço

    Para descobrir como o parasita faz isso, os pesquisadores analisaram P. falciparum coletado de portadores durante as estações de chuva e de seca. Durante a estação chuvosa, os parasitas produziram uma molécula que torna os glóbulos vermelhos mais propensos a aderir aos vasos sanguíneos.

    Isso torna as células, que contêm o parasita, menos propensas a viajarem para o baço, essencialmente um filtro de sangue no qual os glóbulos vermelhos danificados ou doentes são removidos.

    Na estação seca, no entanto, os parasitas não produziam mais essas moléculas, o que significa que as células sanguíneas infectadas não pareciam aderir tanto às paredes dos vasos sanguíneos.

    Como resultado, a maioria das células infectadas viajou para o baço, onde foram decompostas. Isso manteve a população de parasitas em um nível baixo que não causa doenças ou desencadeia uma resposta imunológica.

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    Tags:
    parasita, mosquito, doença, malária
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