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    Coronavírus no mundo no fim de outubro (54)
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    Segundo um novo estudo médico, a injeção terapêutica do sangue de pessoas que se recuperaram da COVID-19 pouco faz para ajudar os pacientes hospitalizados a combater o vírus.

    Elogiado por um breve momento como um tratamento potencialmente novo para a COVID-19, um estudo publicado na quinta-feira (22) na revista British Medical Journal lançou novas dúvidas sobre o uso de plasma convalescente para tentar ajudar os pacientes a se recuperarem da doença de forma mais eficaz.

    O estudo foi realizado em 39 hospitais públicos e privados na Índia em 464 adultos que foram admitidos entre 22 de abril e 14 de julho, informou a agência Reuters na sexta-feira (23).

    De acordo com a pesquisa, os cientistas dividiram os pacientes em dois grupos aleatórios, um dos quais recebeu duas transfusões de plasma convalescente com intervalo de 24 horas, enquanto o outro não as recebeu. As transfusões foram do sangue retirado de pacientes da COVID-19 que sobreviveram e incluía os anticorpos que seus corpos produziram para combater o vírus.

    Após sete dias, aqueles que receberam transfusões viram algumas melhorias em termos de sintomas, incluindo sinais de que seus corpos estavam combatendo o vírus, mas estas melhorias não se traduziram em uma redução de mortes ou na progressão para doença grave em 28 dias.

    "O ensaio [...] foi capaz de mostrar um pequeno efeito no prazo em que os pacientes puderam [se] livrar do vírus, mas isto não foi suficiente para melhorar sua recuperação da doença", disse Simon Clarke, um especialista em microbiologia celular da Universidade de Reading, Reino Unido.

    "Em termos simples, não houve benefícios clínicos para os pacientes."

    De acordo com um editorial que acompanha o estudo, Elizabeth B. Pathak, que é a presidente do Instituto de Mulheres para Pesquisa Social Independente da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, EUA, e que não era afiliada ao estudo, observou que os anticorpos de coronavírus fizeram seu trabalho, mas devido às infusões de plasma também trazerem o risco de coágulos de sangue, a terapia ao mesmo tempo piorou a COVID-19.

    "O plasma convalescente fez exatamente o que os investigadores esperavam que fizesse, mas não houve benefício clínico líquido para os pacientes", escreveu Pathak.

    Ela observou que a doença é "um distúrbio trombótico que ameaça a vida", o que significa que causa espessamento e coagulação do sangue, e o principal objetivo de dar infusões de plasma às pessoas é tratar sangramentos agudos e distúrbios hemorrágicos. Nessas condições seria bom se o sangue engrossasse.

    Funcionário da saúde coleta tubos de ensaio com amostras de plasma e sangue após um processo de separação em uma centrífuga, durante um estudo de vacinação contra a doença do coronavírus (COVID-19) nos Centros de Pesquisa da América, em Hollywood, Flórida, EUA, 24 de setembro de 2020
    © REUTERS / Marco Bello
    Tubos de ensaio com amostras de plasma e sangue para estudo de vacinação

    Ian Jones, um professor de virologia, também da Universidade de Reading, disse que é mais provável que o plasma funcione se for dado muito rapidamente depois que alguém contraia a COVID-19.

    Uso do plasma

    No final de agosto, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) aprovou o tratamento de plasma convalescente para uso de emergência em pacientes hospitalizados. Contudo, a agência apenas notou que o tratamento pode ser eficaz para "diminuir a gravidade ou encurtar a duração da doença COVID-19 em alguns pacientes hospitalizados".

    O presidente dos EUA, Donald Trump, no entanto, elogiou a nova terapia como um tratamento milagroso, afirmando que ela reduziria as taxas de mortalidade em até 35%.

    O dr. Jason Kindrachuk, professor assistente de patogênese viral na Universidade de Manitoba, Canadá, disse à Sputnik Internacional em 25 de agosto que ainda não se tinha decidido sobre a terapia do plasma e que mais estudos precisavam ser feitos, mas que a tentativa de encontrar novas terapias rapidamente era compreensível.

    "Concordo com a ideia de que estamos em uma espécie de território desconhecido neste momento e com a necessidade de poder levar vacinas e terapêuticas às pessoas o mais rápido possível, porque não temos tempo do nosso lado", relatou Kindrachuk na época.

    "O lado infeliz é, penso eu, a apresentação disto como sendo um milagre ou uma cura potencial. Já vimos com dados que foram apresentados que pode haver algum benefício, mas não sabemos quão sólido é esse benefício."

    Os EUA e a Índia autorizaram o plasma convalescente para uso emergencial. Outros países, incluindo o Reino Unido, estão coletando plasma doado para que possa ser distribuído em larga escala se for comprovado ser eficaz.

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    Tags:
    British Medical Journal, Reuters, Food and Drugs Administration (FDA), Donald Trump, Canadá, Sputnik News, Sputnik, Reino Unido, Índia, EUA, COVID-19
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