18:17 24 Novembro 2020
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    Pesquisadores russos encontraram um micróbio unicelular e chegaram à hipótese de que, se for confirmada, viraria pelo avesso a teoria de que os organismos multicelulares evoluíram a partir de uma célula.

    Biólogos russos descobriram no mar Chileno um organismo unicelular que, devido a estrutura, forma de alimentação e outras características, poderia ser o ancestral de todos os animais na Terra. Sua existência também questiona nosso conhecimento sobre a origem dos organismos multicelulares.

    Tunicaraptor, sendo observado em microscópio
    © Foto / Denis V.Tikhonenkov et al. / Current Biology, 2020
    Tunicaraptor, sendo observado em microscópio

    O flagelado unicelular com o nome científico de Tunicaraptor unikontum se comporta, come e caça como um ser multicelular.

    "O pequeno predador Tunicaraptor que descobrimos se destaca de outros animais unicelulares. Quando se alimenta, age não sozinho, mas como um agregado multicelular. Vários predadores se reúnem na superfície de suas presas", diz Denis Tikhonenkov, diretor de pesquisa e cientista-chefe do Instituto de Biologia de Águas Interiores da Academia de Ciências da Rússia.

    Além disso, de acordo com o estudo publicado na revista Current Biology, entre seus genes, os cientistas encontraram vários outros que se parecem com genes humanos e são responsáveis pelo desenvolvimento do sistema nervoso. A equipe também descobriu dentro do DNA do ser vivo informações genéticas sobre adesão, a propriedade física que permite a união de duas substâncias diferentes, um processo fundamental para a formação correta de tecidos e órgãos.

    Os pesquisadores acreditam que tais sequências têm uma origem comum e, por isso, o Tunicaraptor pode ser um dos primeiros ancestrais de todos os animais. A descoberta pode ao mesmo tempo ajudar a entender a evolução de organismos unicelulares para multicelulares.

    Tunicaraptor, sendo observado em microscópio
    © Foto / Denis V.Tikhonenkov et al. / Current Biology, 2020
    Tunicaraptor, sendo observado em microscópio

    Até hoje, a teoria mais comum, proposta pelo naturalista alemão Ernst Haeckel, é a de que os organismos multicelulares evoluíram a partir de uma célula. Durante sua divisão, surgiram células filhas que não conseguiram se dispersar e, ao dividir cada vez mais, cada uma se tornou responsável por uma função específica.

    A composição do Tunicaraptor leva a uma teoria alternativa, proposta pelo cientista soviético Aleksei Zakhvatkin. O flagelo de Tunicaraptor é encontrado por trás, o que é raro para os unicelulares e pode indicar que seu proprietário leva uma vida sedentária. Como os organismos multicelulares inferiores são sedentários, Zakhvatkin propôs que esta propriedade foi herdada de ancestrais, que tinham um ciclo de vida muito mais complexo.

    Assim, o ancestral unicelular dos animais poderia ter sido um predador que se empurrou com um flagelo e formou um organismo complexo, se ligando com outras células para absorver grandes presas.

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    Tags:
    Academia de Ciências da Rússia, Rússia, Chile
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