18:39 24 Novembro 2020
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    Para celebrar os deuses, as lhamas eram oferecidas em rituais pintadas com cores vibrantes e enfeitadas com adornos incas. A técnica de mumificação permitiu saber em detalhes como era esse processo.

    Não é de hoje que temos conhecimento sobre a relação entre lhamas e os povos da América do Sul, principalmente as civilizações antigas, como a do Império Inca no Peru.

    As lhamas sempre foram protagonistas na história desses povos, seja como meio de transporte, alimentação, proteção ao frio por sua lã resistente ou pelo sacrifício desses animais em rituais para reverenciar os deuses.

    Apesar desses rituais serem conhecidos, arqueólogos peruanos realizaram uma incrível descoberta em Tambo Viejo, um sítio arqueológico na costa do Pacífico do Peru: encontraram lhamas brancas e marrons, mumificadas e adornadas com cordões coloridos, tinta vermelha e penas, de 500 anos atrás.

    Múmia de lhama sacrificada
    Múmia de lhama sacrificada

    A descoberta é tão rara que, embora os arqueólogos tenham escavado os restos do Império Inca ao longo da costa do Pacífico da América do Sul por mais de um século, "nenhum deles encontrou algo parecido", segundo o pesquisador Lidio Valdez, professor do Departamento de Antropologia e Arqueologia da Universidade de Calgary, no Canadá, disse ao Live Science.

    "Os adornos sugerem que as ofertas eram muito especiais", disse Valdez, que comandou a pesquisa. "De fato, os registros históricos indicam que as lhamas marrons foram sacrificadas ao criador Viracocha, enquanto as lhamas brancas ao Sol, a principal divindade inca."

    Algumas das lhamas tinham rostos pintados, delas, três lhamas brancas tinham um ponto vermelho no topo de suas cabeças e uma linha vermelha descendo de cada olho em direção ao nariz. Depois de decoradas as lhamas, seus membros eram dobrados sob o corpo e amarrados com longas cordas, também feitas de fibras de camelídeos.

    Uma lhama branca sacrificada e mumificada
    Uma lhama branca sacrificada e mumificada

    Os arqueólogos não conseguiram encontrar nenhuma marca de corte na garganta ou diafragma dessas lhamas, então é possível que tenham sido enterradas vivas. "Se [essa ideia estiver] correta, essa prática seria semelhante à evidência para o sepultamento de sacrifícios humanos vivos", escreveram os pesquisadores no estudo.

    Ao longo do tempo, arqueólogos já encontraram outros sítios incas contendo sacrifícios de animais, mas o que destaca essa descoberta de outras é a riqueza em detalhes preservada pelo processo de mumificação e o fato de que esses animais possam ter ajudado a manter o poder do Império Inca em Tambo Viejo.

    "Sua presença sugere que as celebrações rituais culminaram na partilha de alimentos na forma de festas. Os incas não foram apenas a Tambo Viejo para fazer sacrifícios de animais; em vez disso, os sacrifícios fizeram parte de celebrações muito maiores que incluíram a partilha de comida e bebida, tudo patrocinado pelo Estado. Em última análise, a partilha de alimentos foi uma boa estratégia que permitiu aos incas fortalecer alianças políticas duradouras e relações recíprocas com os povos recém-conquistados", analisa Valdez.

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    Tags:
    deuses, múmia, Peru, lhama
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