05:00 02 Dezembro 2020
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    Astrofísicos dos EUA mediram pela primeira vez a velocidade estimada do buraco negro supermassivo que gira no interior de nossa Via Láctea.

    Sim, no meio de nossa galáxia se encontra um buraco negro supermassivo. Os cientistas Reinhard Genzel e Andre Ghez receberam o Prêmio Nobel de Física neste ano pelo seu descobrimento. Mas o que sabemos sobre ele?

    Primeiramente, seu nome é Sagitário A (SgrA) e se encontra a 26 mil anos-luz da Terra. Ao mesmo tempo, os parâmetros principais para entender um buraco negro são dois: sua massa e velocidade de rotação sobre seu eixo.

    Os cientistas premiados estimaram que sua massa é de aproximadamente quatro milhões de vezes a do Sol. Quanto à velocidade de sua rotação, ela era um mistério. Sua influência nas órbitas das estrelas próximas é insignificante e, por isso, era difícil medi-la de forma direta.

    Imagem do buraco negro no centro da galáxia M87
    Imagem do buraco negro no centro da galáxia M87

    Em vez disso, os pesquisadores do Centro de Astrofísica Havard-Smithsonian e da Universidade do Noroeste, ambas nos EUA, estudaram as órbitas e a distribuição espacial das estrelas vermelhas gigantes do tipo S, as mais próximas do buraco negro, que giram ao seu redor.

    Descobriram que estas estrelas estão organizadas em dois planos, como discos estelares que giram em diferentes direções. Segundo os pesquisadores, isso indica que a velocidade de rotação do Sagitário A* não é alta.

    Se tivesse uma rotação significativa, os planos orbitais das estrelas sofreriam uma mudança com o tempo, mas isto não se observa. Segundo eles, a velocidade de rotação do buraco negro não é mais de 0,1 da velocidade da luz.

    "Em nosso estudo utilizamos as estrelas S recentemente descobertas para mostrar que a rotação do buraco negro SgrA* deve ser menor que 10% de seu valor máximo, correspondente a um buraco negro que gira à velocidade da luz", afirma o doutor Aci Loeb, coautor do estudo publicado na revista Astrophysical Journal Lettres.

    Os cientistas esperam que seja possível ampliar o conhecimento sobre o buraco negro quando for realizado o projeto da rede de telescópios Event Horizon, destinada a observar o entorno mais próximo do buraco negro supermassivo da Via Láctea.

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    Tags:
    Prêmio Nobel, astronomia, espaço, Via Láctea, buraco negro, ciência
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