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    Mundo enfrenta COVID-19 em meados de outubro (78)
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    Sendo mais agressivo do que os antecessores, o novo coronavírus usa também proteína neuropilina-1 na superfície das células para penetrar e infectá-las. Esta proteína é muito abundante no trato respiratório, vasos sanguíneos e neurônios.

    Ao explorar o que torna o SARS-CoV-2 tão infeccioso, os cientistas descobriram, em dois estudos independentes publicados na revista Science, que a proteína do pico do vírus na superfície das células humanas se liga a outro receptor, a neuropilina-1, além do ACE2, também presente no SARS-CoV de 2003, o que pode facilitar a penetração e infecção.

    Tudo começou com o fato de que, ao estudar a sequência da proteína Spike do SARS-CoV-2, os pesquisadores descobriram um local de clivagem único nela que não é encontrado nos outros tipos de coronavírus. Assim, acreditam na hipótese de que isso permite ao novo coronavírus criar locais adicionais de ligação ao receptor na superfície da célula.

    "Sabia-se que o SARS-CoV-2 usa o receptor ACE2 para infectar nossas células, mas os vírus costumam usar vários fatores para maximizar seu potencial infecioso. […] Se comparado ao antecessor, o novo coronavírus teve um "pedaço extra" adicionado […] também encontrado nos espinhos de muitos vírus humanos mortais, incluindo ebola, HIV e estipes altamente patogênicas da gripe aviária", disse o dr. Giuseppe Balistreri, chefe do grupo de pesquisa em biologia celular viral da Universidade de Helsinque, e um dos autores dos estudos, em um comunicado de imprensa.
    Um modelo de átomo por átomo do coronavírus
    Um modelo de átomo por átomo do coronavírus

    Os resultados de um dos estudos também ajudaram a explicar o motivo da perda do olfato por causa da COVID-19. Cientistas, liderados pelo neurocientista Mikael Simons da Universidade Técnica de Munique, durante a autópsia de seis pacientes que morreram devido ao vírus, encontraram em cinco deles uma infecção do epitélio olfatório. Adicionalmente, as células infectadas apresentaram alta porcentagem de neuropilina-1.

    Os autores explicam a mesma razão para os danos cerebrais provenientes da COVID-19. Quando injetadas nanopartículas revestidas com neuropilina-1 na nasofaringe de animais, estas atingiram os neurônios e vasos capilares do cérebro em poucas horas, ao contrário de partículas sem este receptor.

    Ambas as equipes de cientistas descreveram e confirmaram experimentalmente a possibilidade de criar um tratamento antiviral baseado na inibição da neuropilina-1. Ao ser desativada em células humanas em um teste de laboratório, a capacidade do SARS-CoV-2 de infectar células em cultura foi reduzida, o que pode abrir caminho para uma cura mais rápida e duradora.
    Tema:
    Mundo enfrenta COVID-19 em meados de outubro (78)

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    Tags:
    medicina, ciência, cura, infecção, COVID-19
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