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    Pesquisadores afirmam que não conseguem detectar o corpo celeste no sistema estelar localizado em um estudo anterior.

    O buraco negro que até agora se considerava o mais próximo da Terra, identificado em maio deste ano por um grupo de astrônomos no sistema solar HR 6819, provavelmente não existe. Desta maneira, o sistema a que supostamente pertencia deve ser considerado duplo (binário), e não triplo, ao descartar a presença de um terceiro elemento.

    O sistema em questão, situado a 1.120 anos-luz da Terra, conta com duas estrelas, uma das quais é facilmente visível. Agora, duas equipes independentes de pesquisadores afirmam que somente tem dois integrantes, e nenhum deles é um buraco negro.

    Representação de buraco negro supermassivo fornecida pelo Observatório Europeu do sul em julho de 2018
    © AP Photo / M. Kornmesser
    Representação de buraco negro supermassivo fornecida pelo Observatório Europeu do sul em julho de 2018

    Esta interpretação revisada das medições disponíveis é mais consistente, segundo os cientistas, com um sistema binário (o que era comumente aceito antes da revelação de maio), mas também propõe uma nova ideia de como suas duas estrelas interagem.

    Um dos elementos é uma estrela "desbastada" (stripped star), enquanto a outra é muito rápida em sua rotação e "se formou a partir de um evento anterior de transferência de massa", sugere o artigo publicado na edição de setembro da revista Astronomy & Astrophysics.

    Os autores, cientistas da Universidade Católica de Lovaina (Bélgica), acrescentam que a interferometria lhes permitiu vislumbrar que os componentes visíveis estão se separando.

    Dois astrônomos dos EUA insistiram em julho deste ano essencialmente no mesmo, dizendo que a confusão vinha da fase orbital da estrela de massa menor.

    Através de um modelo espectral, os norte-americanos demonstraram que o disco que rodeia a estrela maior do sistema (tipo Be) se move para a frente e para trás em um ciclo de 40 dias. O ciclo da estrela menor (tipo B3 III) é muito maior, razão pela qual os astrônomos não detectaram esse movimento antes de colocar a hipótese sobre o buraco negro.

    Segundo o artigo publicado em maio, a estrela orbitava muito próximo do suposto buraco negro, que deveria medir entre quatro e cinco massas solares, enquanto a veloz estrela Be seria uma companheira terciária mais distante. As duas equipes que descartam a presença do buraco negro consideram que a estrela "desbastada" está mais distante que a Be do centro de orbitação comum.

    Ao repensar a composição do sistema HT 6819, o buraco negro mais próximo da Terra passa a ser o componente invisível do sistema binário A0620-00.

    Identificado há mais de um século, está situado na constelação de Unicórnio, a quase três mil anos-luz, e é acompanhado por uma estrela anã laranja com uma massa equivalente a metade do Sol.

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    Tags:
    astrônomo, estudo, estrelas, Terra, buraco negro, ciência
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