20:37 02 Dezembro 2020
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    O vento do Sol emite prótons e elétrons relativamente densos no seu "território", que enfraquecem à medida que se afastam da estrela, mas as sondas espaciais Voyager começaram a detectar um aumento.

    A densidade do espaço diminui à medida que se torna cada vez mais afastado do Sistema Solar, indica o portal Science Alert.

    Lançada em 1977, a sonda espacial Voyager 2 tem voado fora do Sistema Solar nos últimos tempos e descobriu que a densidade do espaço está aumentando, confirmando os dados de 2013 de outra sonda que tem o Sistema Solar como destino, a Voyager 1.

    Apesar do espaço ser em grande parte um vácuo, o vento supersônico de plasma ionizado constante do Sol emite uma densidade de prótons e elétrons de três a dez partículas por centímetro cúbico, que, no entanto, se torna mais baixa quanto mais se afastar do Sol, até 0,002 e 0,037 elétron por centímetro cúbico no meio interestelar e na heliosfera externa, respectivamente. A heliosfera é uma região periférica do Sol além da mais próxima do Sol, a heliobainha.

    Neste momento, ambas as sondas estão na área da heliopausa, a terceira área mais periférica, onde o vento do Sol já não consegue realizar sua pressão em direção ao vento do espaço interestelar, escreveu o portal Science Alert.

    Densidade imprevisível

    A Voyager 1 relatou em 23 de outubro de 2013, a uma distância de 122,6 unidades astronômicas (UA), ou 18,3 bilhões de quilômetros da Terra, uma densidade de 0,055 elétron por centímetro cúbico, enquanto a Voyager 2 calculou os dados de 5 de novembro de 2018, a 119 UA, ou 17,8 bilhões de quilômetros da Terra, como uma densidade de 0,039 elétron por centímetro cúbico, ambas relatando um aumento na densidade espacial.

    Representação das sondas Voyager 1 (em cima), Voyager 2, o Sol, a heliosfera e a heliopausa, agosto de 2017
    © Foto / NASA/JPL-Caltech
    Representação das sondas Voyager 1 (em cima), Voyager 2, o Sol, a heliosfera e a heliopausa, agosto de 2017

    No entanto, a Voyager 2 indicou um aumento maior, até 0,12 elétron por centímetro cúbico, em comparação a 0,13 elétron por centímetro cúbico da Voyager 1.

    Os cientistas publicaram sua pesquisa na revista The Astrophysical Journal Letters e teorizam que as linhas do campo magnético interestelar se tornam mais fortes à medida que se arrastam sobre a heliopausa, o que poderia gerar uma instabilidade eletromagnética de íons cíclotron que esgotam o plasma da região de drenagem, especialmente com a Voyager 2 detectando um campo magnético mais forte do que o esperado quando atravessou a heliopausa.

    "Outra teoria é que o material soprado pelo vento interestelar deve diminuir à medida que atinge a heliopausa, causando uma espécie de engarrafamento. Isto foi possivelmente detectado pela New Horizons, sonda externa do Sistema Solar, que em 2018 captou o fraco brilho ultravioleta resultante de uma acumulação de hidrogênio neutro na heliopausa", escreve Science Alert, apontando também a possibilidade de ambas as explicações terem um grão de verdade.

    A Voyager 2 foi enviada para missões de observação a Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, e posteriormente deveria se dirigir para fora do Sistema Solar e enviar os dados que recebia, dando assim à humanidade um conhecimento sem precedentes sobre a natureza do espaço sideral.

    A sonda deve continuar enviando dados até 2025, e possivelmente até um pouco depois. E continuará voando no espaço indefinidamente, salvo um acidente.

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    Tags:
    Sol, NASA, New Horizons, Voyager 1, Sistema Solar
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