07:21 30 Outubro 2020
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    Os especialistas da MEPhI asseguram que a terapia fotodinâmica (TFD) é um dos métodos mais eficazes e seguros de tratamento de câncer. É amplamente usada para combater os tumores malignos da pele, da faringe, do fígado, dos pulmões, do cérebro, da bexiga e dos órgãos do tubo digestivo.

    A OMS estima que um em cada cinco homens e uma em cada seis mulheres desenvolvem câncer. Hoje em dia, até as formas mais graves desta doença podem ser curáveis. Os cientistas da Universidade Nacional de Pesquisa Nuclear MEPhI contam sobre sua experiência inédita nesta área.

    A essência da TFD é o uso de fotossensibilizadores: substâncias que aumentam a sensibilidade dos tecidos biológicos à luz. Na etapa preliminar, o fotossensibilizador acumula-se no tecido do tumor. A exposição dos focos desta acumulação ao laser inicia a produção de formas ativas de oxigênio nas células do tumor, levando a sua necrose, apoptose (morte celular programada) ou a parada do ciclo celular com seu ulterior relançamento em regime saudável.

    Precisão antes de tudo

    Um dos principais problemas do uso da TFD para tratar câncer consiste em determinar com precisão os limites do tumor. Em caso de imprecisão, nem todas as células malignas serão expostas à ação, o que pode levar à recidiva da doença.

    Buscando os meios para solucionar o problema, os cientistas da MEPhI criaram um sistema videofluorescente único que permite visualizar os focos de acumulação do fotossensibilizador em lugares de difícil acesso em casos de câncer da cabeça e do pescoço.

    O sistema permite determinar com precisão os limites dos tumores malignos, onde está o fotossensibilizador, imediatamente no decurso da operação e, além disso, avaliar sua concentração nos tecidos.

    "Determinar com precisão os limites do tumor é o fator decisivo de um tratamento eficaz. O diagnóstico fluorescente intraoperacional permite conseguir isso, aumentando a eficácia da TFD e elevando a média de sobrevivência dos pacientes com câncer da cabeça e do pescoço", explica o chefe do Departamento de Micro, Nano e Biotecnologias de Laser do Instituto de Engenharia Física da Biomedicina da MEPhI, professor Viktor Loschenov.

    Neste método, a fluorescência é ativada por laser vermelho. Os especialistas da MEPhI comentam que no setor vermelho do espectro a absorção e a dispersão da luz nos tecidos biológicos são mínimas, o que aumenta a profundidade e a precisão da análise.

    Salvar o fígado

    O fígado é um dos órgãos que mais dificuldades apresenta ao tratamento por TFD. O fígado é responsável pela retirada do organismo da maioria dos fotossensibilizadores, fazendo com que, em qualquer caso, o fígado do paciente contenha uma grande quantidade destas substâncias. Isso dificulta a detecção correta das células patológicas.

    Ao analisar as propriedades espectrais e fluorescentes dos tecidos do sistema hepatobiliar do javali (suas propriedades óticas são próximas às humanas), os especialistas da MEPhI elaboraram um novo método de avaliação quantitativa da concentração do fotossensibilizador nos tecidos das vias biliares.

    "Ao estudar a fluorescência própria dos tecidos do fígado, aperfeiçoamos os métodos de diagnóstico espectral e videofluorescente de tumores malignos deste órgão. Isso permitiu elaborar a abordagem ótima ao tratamento de câncer do fígado pelo método da TFD", conta o mestrando do Departamento de Micro, Nano e Biotecnologias de Laser do Instituto de Engenharia Física da Biomedicina da MEPhI Kanamat Efendiev.

    Proteger o estômago

    Outra área focada pela pesquisa da MEPhI é o diagnóstico espectral e videofluorescente de câncer do estômago. Os cientistas assinalam que o uso da TFD nesta área tem perspectivas especiais devido à alta complexidade da intervenção cirúrgica.

    A pesquisa espectroscópica da mucosa do estômago segundo o novo método permitiu detectar o tumor situado a 3-4 mm de profundidade. Os cientistas da MEPhI destacam que esta profundidade é o dobro da apresentada por métodos tradicionais. Os elementos essenciais do método são o sistema videofluorescente endoscópico inédito e o fotossensibilizador 5-ALK.

    "A pesquisa demonstrou que a análise espectral e videofluorescente com o uso de 5-ALK pode ser recomendada como um método de diagnóstico rápido, inclusive como diagnóstico precoce do estômago, podendo também ser recomendada para avaliar a propagação do tumor e detectar focos de câncer durante laparoscopia", afirma Artyom Shiryayev, especialista do Instituto de Oncologia de Clusters Levshin da Universidade Sechenov.

    Os exames clínicos dos novos métodos foram levados a cabo pelo Instituto de Oncologia de Clusters Levshin no 1o Hospital Clínico Universitário da Universidade Sechenov. Os métodos e os equipamentos elaborados pela MEPhI para TFD e diagnóstico fluorescente já estão sendo implementados em muitas clínicas da Rússia, dizem os cientistas.

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    Tags:
    luz, tratamento, câncer
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