16:40 27 Outubro 2020
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    Uma equipe de arqueólogos encontrou uma oficina metalúrgica de cobre que operou na cidade israelense de Beerseba há aproximadamente 6.500 anos.

    O estudo também revelou que o sítio pode ter sido o primeiro do mundo a usar um forno no processo de fundição.

    A descoberta foi realizada por cientistas da Universidade de Tel Aviv e da Autoridade de Antiguidades de Israel, tendo o estudo do local demorado vários anos.

    Os primeiros indícios da metalúrgica foram descobertos em 2017, durante uma escavação arqueológica de emergência para proteger antiguidades ameaçadas, segundo o ScienceDaily.

    De acordo com Talia Abulafia, diretora da escavação, os trabalhos arqueológicos revelaram evidências de atividades metalúrgicas durante a Idade do Cobre, há aproximadamente 6.500 anos.

    "As descobertas surpreendentes incluem uma pequena oficina para fundir cobre, com fragmentos de um forno, uma pequena instalação feita de estanho onde o mineral de cobre era fundido, bem como muita escória de cobre", detalhou.

    Uma análise dos isótopos dos restos do mineral nos fragmentos do forno mostrou que o mineral bruto foi trazido de Wadi Faynan, região localizada atualmente no sul da Jordânia, a uma distância de mais de 100 quilômetros de Beerseba.

    Durante a Idade do Bronze, quando o cobre começou a ser refinado, o processo era realizado longe das minas, ao contrário do que ocorreu mais tarde, quando os fornos passaram a ser construídos próximos das minas por razões práticas e econômicas.

    Os cientistas sugerem que a razão para essa distância das minas fosse a preservação do segredo tecnológico.

    "É importante entender que a refinação de cobre era alta tecnologia nesse período. Não havia tecnologia mais sofisticada que essa em todo o mundo antigo", apontou Erez Bem-Yosef, professor do Departamento de Arqueologia d Universidade de Tel Aviv.

    Uma análise química dos restos encontrados no sítio arqueológico de Beerseba indica que cada oficina tinha sua própria receita de refinação do cobre, a qual não era compartilhada com seus concorrentes.

    "Lançar pedaços de mineral ao fogo não te levará a parte alguma. É preciso ter conhecimento de como construir fornos especiais que possam alcançar temperaturas muito altas enquanto mantêm baixos níveis de oxigênio", ressaltou Bem-Yosef.

    Ele também ressaltou que o segredo da produção do metal era mantido por alguns membros da elite, o que fortalece a hipótese de que a sociedade da época estava estratificada socialmente.

    Na primeira etapa de produção de cobre eram utilizados crisóis (cadinhos), ao invés de fornos. As evidências encontradas mostram que neste caso já eram usados fornos, o que sugere a possibilidade de este tipo mais avançado de fundição ter sido inventado nesta região.

    Bem-Yosef não exclui que o forno possa ter sido inventado em outro lugar. Os antigos habitantes de Beerseba teriam, sim, desempenhado "um importante papel no avanço da revolução mundial do metal", ressaltando que no quinto milênio a.C. a cidade era uma "potência tecnológica" em toda a região.

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    Tags:
    metal, cobre, Israel, arqueólogos, arqueólogo, arqueologia, descoberta
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