18:02 27 Outubro 2020
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    O homem foi enterrado de forma autoritária com um conjunto de armas, e tinha muita riqueza, sugerindo que era um líder tribal na Grã-Bretanha pós-romana.

    Foi descoberto o local de descanso final do que pode ser um guerreiro anglo-saxão em um campo em Berkshire, sul da Inglaterra, Reino Unido, datado do século VI, em uma descoberta que os arqueólogos dizem lançar nova luz sobre a dinâmica das tribos pré-invasão normanda de Inglaterra, em 1066, escreve o jornal The Guardian.

    Em 2018, detectores de metais descobriram tigelas de bronze no local e alertaram os arqueólogos. Em agosto de 2020, o corpo foi encontrado junto com uma série de armas, incluindo lanças e uma espada com sua bainha.

    Espada e bainha encontradas com os restos mortais
    © Foto / Universidade de Reading, Reino Unido
    Espada e bainha encontradas com os restos mortais

    Gabor Thomas, especialista em arqueologia medieval da Universidade de Reading, que participou da escavação, disse que, ao contrário de muitos sepultamentos da época, o homem, conhecido como o Senhor da Guerra de Marlow, não estava enterrado em um cemitério, mas separado do resto da comunidade.

    "Ele está enterrado de norte a sul, essa é sua orientação, mas com vista direta para o rio Tâmisa", detalhou, acrescentando que os restos mortais estão "posicionados deliberadamente para olhar sobre esse território".

    Thomas ainda relevou estar havendo muito debate sobre se os indivíduos enterrados com tais bens eram guerreiros ou se eram enterrados com armas como um gesto simbólico.

    Vaso encontrado no local
    © Foto / Universidade de Reading, Reino Unido
    Vaso encontrado no local

    De mais de 1,80 metro de altura, músculos aparentemente bem-desenvolvidos, e forte riqueza, o Senhor da Guerra de Marlow parecia merecer seu status social.

    "Ser macho neste período [...] era uma parte significativa da vida das pessoas", disse Thomas. "A palavra que me vem à mente é 'bastante machão'."

    O homem também poderia estar sofrendo de artrite e desgaste nos dentes, segundo análises realizadas pelos arqueólogos.

    "Temos poucos ou nenhuns funerais desse período da região do meio do Tâmisa que sejam tão ricamente mobiliados, especialmente em comparação com a região inferior do Tâmisa e a superior do Tâmisa", disse a professora Helena Hamerow, da Universidade de Oxford, não envolvida no trabalho.

    Ela também acrescentou que alguns dos bens do túmulo eram provavelmente importados do que era agora o norte da França ou da Renânia, Alemanha.

    "Tanto a localização quanto os bens do túmulo parecem ter sido projetados para projetar o poder e a importância daquele indivíduo."

    Grã-Bretanha anglo-saxônica

    Após, no final do século IV, o Império Romano se separar em um Império Romano Ocidental, que albergava Roma e as províncias ocidentais, e em um Império Romano Oriental, que mais tarde se tornou o Império Bizantino, e particularmente depois da queda final do Império Romano Ocidental ao longo do século V, surgiu um vazio de poder no seu antigo território, que foi preenchido por senhores da guerra locais e numerosos reinos.

    O território atual da Grã-Bretanha foi particularmente afetado pela transição, com uma prolongada crise socioeconômica que levou a uma queda civilizacional e constantes guerras internas devido à falta de poder centralizado.

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    Tags:
    Alemanha, França, Universidade de Oxford, The Guardian, Inglaterra, Grã-Bretanha, Reino Unido
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