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    COVID-19 no mundo no início de outubro (66)
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    Após relatos de animais sendo infectados pelo SARS-CoV-2, uma equipe de pesquisadores conduziu um estudo sobre 215 espécies, em quais identificou potenciais vítimas não humanas do vírus.

    Biólogos do Reino Unido e da Malásia descobriram quais dos animais poderiam potencialmente ser infectados pelo SARS-CoV-2, de acordo com o portal SciTechDaily.

    As conclusões dos cientistas são consistentes com os experimentos de laboratório realizados em animais vivos, assim como com os casos relatados de infecção.

    Os autores descobriram que a maioria dos mamíferos pode potencialmente ser infectada, o mesmo não acontecendo com aves, peixes e répteis. Até agora foram relatadas infecções de gatos, cães, martas, leões e tigres. Os estudos de laboratório, cujos resultados foram publicados na revista Scientific Reports, confirmaram que furões e macacos também podem ser infectados.

    Os pesquisadores estudaram como a proteína em forma de espinho do SARS-CoV-2 interage em diferentes mamíferos com a proteína ACE2, através da qual penetra nas células. Os cientistas têm observado se as mutações da proteína ACE2 amplificariam ou enfraqueceriam a conexão entre a proteína viral e a proteína hospedeira.

    Segundo as simulações computadorizadas realizadas em 215 espécies, em 26 espécies de mamíferos, em particular as ovelhas, assim como chimpanzés, gorilas, orangotangos e chimpanzés-pigmeus, as proteínas se ligam com a mesma firmeza que as proteínas humanas, as tornando suscetíveis à infecção se estiverem em contato regular com humanos.

    Ainda não foram registrados casos de infecção entre ovelhas, mas também ainda não foram conduzidos testes para provar a possibilidade, observam os autores.

    "Queríamos ir além das espécies que foram estudadas experimentalmente para ver quais animais podem estar em risco de infecção, e exigir mais pesquisa e monitoramento", diz Christine Orengo, autora principal da pesquisa e professora de Biologia Estrutural e Molecular do Colégio da Universidade de Londres.

    "Os animais que identificamos podem estar em risco de surtos que poderiam ameaçar espécies ameaçadas ou prejudicar a subsistência dos agricultores. Os animais também podem agir como reservatórios do vírus, com potencial para reinfectar os seres humanos mais tarde, como foi documentado nas fazendas de martas."

    Os pesquisadores realizaram uma análise estrutural detalhada e definiram limites de risco para diferentes espécies animais.

    "Os detalhes da infecção e a gravidade da resposta são mais complexos do que apenas as interações proteína-chip com ACE2, por isso estamos olhando para interações envolvendo outras proteínas hospedeiras", acrescentou Orengo.

    Um estudo preliminar publicado no portal de pré-impressão bioRxiv indica que o novo coronavírus também pode entrar no corpo através da proteína neuropilina-1.

    Aplicação do estudo

    Su Datt Lam, o primeiro autor do artigo da Universidade Nacional da Malásia, sublinhou que, ao contrário dos experimentos de laboratório, a análise computadorizada desenvolvida pela equipe pode ser realizada automaticamente.

    "Por isso, esses métodos poderiam ser facilmente aplicados a futuros surtos de vírus que, infelizmente, estão se tornando mais comuns devido à invasão humana em habitats naturais", apontou.

    Os autores acreditam que, a fim de evitar a transmissão de infecções de humanos para os animais e de volta, é necessária uma vigilância extensiva, especialmente de animais domésticos e de fazendas, para detectar casos em uma fase inicial, antes do início de uma epidemia.

    Além disso, os cientistas acreditam ser importante prever medidas de higiene para o tratamento de animais semelhantes às atualmente em vigor entre os seres humanos.

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    COVID-19 no mundo no início de outubro (66)

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    Tags:
    Universidade de Londres, Scientific Reports, Malásia, Reino Unido, COVID-19
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