06:03 25 Outubro 2020
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    Novos dados da velocidade radial permitiram aos astrônomos identificar e prever com precisão a posição esperada do Beta Pectoris c para que o instrumento Gravity pudesse encontrá-lo.

    Uma equipe de astrônomos capturou a imagem de um exoplaneta que antes só tinha sido detectado indiretamente através de um espectro de sua estrela-mãe. Os resultados foram publicados nesta sexta-feira (2) na revista Astronomy & Astrophysics.

    Dado que o exoplaneta Beta Pictoris c se encontra tão próximo de sua estrela-mãe, seu fraco brilho era difícil de perceber até este momento. Contudo, graças ao instrumento Gravity, que opera junto com o telescópio de longo alcance denominado Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), os especialistas conseguiram observar seu raio de luz.

    Imagem do exoplaneta Beta Pectoris c
    © Foto / GRAVITY Collaboration / Axel M. Quetz, Departamento Gráfico da MPIA
    Imagem do exoplaneta Beta Pectoris c

    Originalmente, o corpo celeste foi detectado em 2019 pelo método de velocidade radial, que mede o arrastamento e tração da estrela-mãe devido à órbita do planeta.

    "Estamos apenas começando a explorar novos mundos surpreendentes, desde o buraco negro supermassivo no centro de nossa galáxia até planetas fora do Sistema Solar", salientou o coautor do estudo Frank Eisenhauer, após destacar o grande "nível de detalhe e sensibilidade" de Gravity.

    Segunda descoberta

    O achado só foi possível devido aos novos dados de velocidade radial que permitiram à equipe identificar e prever com precisão a posição esperada do exoplaneta para que Gravity pudesse encontrá-lo. Estes dados foram publicados em um segundo artigo.

    Assim, Beta Pictoris c é o primeiro planeta que foi detectado e confirmado com ambos os métodos, medidas de velocidade radial e imagens diretas, permitindo aos cientistas combinar as duas técnicas, que previamente estavam separadas.

    "Agora, podemos obter tanto o brilho como a massa deste exoplaneta", explicou o autor principal do artigo, Mathias Nowak, agregando que "como regra geral, quanto mais massivo é o planeta, mais luminoso ele é".

    Um dado inesperado

    Contudo, as imagens diretas revelaram uma surpresa: Beta Pictoris c é seis vezes menos brilhante que seu irmão maior, Beta Pictoris b, mas se presumia que a massa de ambos fosse similar, aproximadamente oito vezes superior à do planeta Júpiter para c e entre seis e 15 vezes para b.

    Por agora, os especialistas consideram que somente a estimativa de massa de Beta Pictoris c é confiável, enquanto se espera que os dados de velocidade radial no futuro possam determinar com mais precisão a massa de Beta Pictoris b. Uma das hipóteses aponta que um dos exoplanetas é muito mais frio que o outro.

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    Tags:
    Júpiter, exoplaneta, astronomia, espaço, ciência
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