19:18 27 Outubro 2020
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    A análise do crânio, encontrado no sul da Inglaterra nos anos 1960, demonstrou que no momento de sua morte a jovem tinha entre 15 e 18 anos.

    Um recente estudo arqueológico liderado por University College de Londres (Reino Unido) revelou novas informações sobre as raízes dos castigos brutais utilizados contra criminosos na Inglaterra na Alta Idade Média.

    Até o momento, o primeiro caso documentado de mutilação facial formal na Inglaterra anglo-saxônica remonta ao século X d.C. Contudo, a análise dos restos encontrados na década de 1960 durante escavações na cidade de Basingstoke, no sul da Inglaterra, demonstrou que essa forma de castigo já existia um século antes.

    Crânio de jovem que sofreu mutilação facial
    © Foto / Imprensa da Universidade de Cambridge
    Crânio de jovem que sofreu mutilação facial
    Trata-se de um crânio que teria pertencido a uma jovem de entre 15 e 18 anos e que tem "evidência de uma mutilação facial em forma da remoção total do nariz e remoção parcial do lábio superior, com o couro cabeludo frontal possivelmente arrancado".

    Utilizando a datação por radiocarbono, a equipe definiu que a menina teria vivido entre 776 e 946 d.C.

    "Este caso parece ser o primeiro exemplo arqueológico desta forma particularmente brutal de desfiguração facial conhecida na Inglaterra anglo-saxã", salientaram os autores do estudo (ainda não revisado por pares), publicado na revista Antiquity.

    As circunstâncias da morte

    Os pesquisadores se inclinam a acreditar que a menina tenha sofrido as lesões pouco antes de sua morte, ainda que não excluem a possibilidade de que as feridas possam ter sido infligidas parcial ou completamente depois do falecimento, enquanto o osso ainda estava fresco.

    Arcada dentária de vítima de mutilação facial
    © Foto / Imprensa da Universidade de Cambridge
    Arcada dentária de vítima de mutilação facial

    Devido à ausência de outras partes do esqueleto, os pesquisadores não puderam determinar a causa exata da morte.

    "Dado que somente se recuperou o crânio, é possível que a cabeça tenha sido removida do corpo como parte do castigo, talvez com o propósito de exibi-la, como se evidencia em outras partes da Inglaterra anglo-saxã", destacaram os autores.

    As fontes textuais sobre o sistema judicial e punitivo anglo-saxão indicam que a mutilação da cabeça como castigo se limitava a circunstâncias muito específicas. As marcas encontradas no crânio de Basingstoke indicam que a jovem pode ter sido acusada de adultério ou roubo.

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    Tags:
    arqueologia, história, Inglaterra, tortura, vítima, crânio
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