16:06 27 Outubro 2020
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    De acordo com a equipe de pesquisa, o achado permitirá determinar muitos aspectos do clima e da megafauna da região noroeste da América do Sul, onde os fósseis foram encontrados.

    Na terça-feira (22), um grupo de mineiros colombianos que prospectavam ouro encontrou restos fósseis de um mastodonte pré-histórico no município de Quinchiá, pertencente ao departamento de Risaralda, oeste do país.

    Os trabalhadores encontraram os restos fósseis a cerca de 20 metros de profundidade. De acordo com o grupo, eles encontraram sedimentos diferentes do habitual, e mais tarde perceberam que eram ossos.

    "Houve uma espécie de deslizamento de terra, e foi aí que caiu o primeiro osso, então fomos atrás dele e tiramos os que você já viu", disse Fernando Tabariquino, um dos mineiros, em comunicado.

    Os mineiros removeram de dez a 12 ossos do animal, incluindo uma presa de 1,10 metro de comprimento, tendo depois as autoridades locais suspendido a escavação devido ao interesse científico da descoberta.

    A CARDER encontrou restos fósseis de um mastodonte durante operações de controle em Quinchiá, Colômbia
    Restos fósseis de mastodonte em Quinchiá, Colômbia

    Os funcionários da autoridade ambiental Corporação Autônoma Regional de Risaralda (CARDER, na sigla em espanhol), em conjunto com especialistas do Laboratório de Ecologia Histórica e Patrimônio Cultural do país latino-americano foram ao local para avaliar esta descoberta.

    "Quando olhamos para estes restos vemos que eles corresponderiam aos ossos de um mastodonte. O mastodonte é primo-irmão dos elefantes de hoje. É um animal que se extinguiu há cerca de 10.000 anos nesta área do norte da América do Sul", explicou Carlos Eduardo López Castaño, professor e diretor do Laboratório de Ecologia Histórica e Patrimônio Cultural da Universidade Tecnológica de Pereira.

    Por sua vez, Julio César Gómez, diretor da CARDER, disse que esta poderia ser a primeira de várias descobertas, uma vez que estes animais viviam em manadas, tal como os elefantes contemporâneos.

    Implicações da descoberta

    O diretor da CARDER informou que o Instituto Colombiano de Antropologia e História e o Serviço Geológico Colombiano já estão cientes da descoberta e que vão analisar os restos em maior profundidade a partir de suas respectivas áreas, a arqueologia e a paleontologia.

    "Encontramos algo extraordinário e para lá do imaginável. Primeiro, porque isso nos permitirá determinar muitos aspectos do clima, da megafauna que tivemos nesta área. Além disso, seremos capazes de demonstrar que realmente fomos os repositórios de toda a vida em termos de biodiversidade, e também um pouco para explicar por que estas espécies desapareceram", explicou o diretor.

    Esta é uma descoberta sem precedentes em Risaralda, considera o professor López Castaño.

    Ele explicou que na Colômbia foram encontrados restos de mastodonte em áreas planas como o Valle del Cauca, a savana de Cundinamarca e a costa atlântica, no ocidente do país, mas "neste caso é muito interessante porque é muito profundo aqui, no cânion Cauca; não é um lugar onde se diria que é fácil encontrar este tipo de descoberta", enfatizou ele.

    Os especialistas continuarão estudando os restos fósseis e removendo aqueles que ainda estão dentro da galeria, onde uma presa de um metro e dez centímetros de comprimento permanece intacta.

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    Tags:
    América Latina, América do Sul, Colômbia
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