15:53 27 Outubro 2020
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    Os pequenos cristais se acumulam no magma, dificultando a liberação de gases e levando ao aumento da pressão até um ponto em que se produz uma explosão demolidora.

    Um novo estudo aponta para pequenos cristais contendo principalmente ferro, silício e alumínio como a causa de algumas erupções vulcânicas terminarem em fortes explosões e desastres em grande escala.

    "O que causa a repentina e violenta erupção de vulcões aparentemente pacíficos sempre foi um mistério na pesquisa geológica", disse o pesquisador Danilo di Genova, de acordo com um comunicado da Universidade de Bayreuth (Alemanha) sobre essa recente descoberta.

    O especialista e sua equipe obtiveram novos dados que explicam as violentas explosões de alguns vulcões.

    "A pesquisa em nanociência nos permitiu agora encontrar uma explicação. Pequenos grãos de cristais contendo principalmente ferro, silício e alumínio são o primeiro elo de uma cadeia de causa e efeito que pode terminar em catástrofe para as pessoas que vivem nas proximidades de um vulcão.", expressou o especialista.

    Os cientistas determinaram que a fração responsável pela mudança apenas visível no magma é muito pequena, dezenas de milhares de vezes mais fina que um cabelo humano.

    Cada erupção supõe que parte do magma se esfrie e se cristalize na superfície. A ideia habitual é que esta camada começa a impedir o caminho de saída para os gases que sobem das profundezas, quando seu volume cristalizado supera uma certa porcentagem crítica.

    Os gases se acumulam e a pressão dentro do vulcão cresce até ocorrer a explosão, segundo esse cenário.

    Vulcão Popocatépetl
    © AP Photo / Marco Ugarte
    Vulcão Popocatépetl

    Danilo di Genova e seus colaboradores propuseram outra visão, que não inclui a solidificação em grande escala da rocha fundida. Pelo contrário, dizem, em seu interior se formam miríades de "nanolitos" dos três elementos mencionados, que se acumulam no magma e aumentam sua viscosidade.

    Os cientistas analisaram estes nanolitos em diversas amostras de lava e cinzas de vários vulcões ativos, por meio de espectroscopia e de microscópio eletrônico, e determinaram sua influência na viscosidade da rocha fundida.

    Os testes demonstraram que um pequeno aumento de porcentagem nestes pequenos cristais faz com que o magma líquido se torne menos fluido e conduza a uma maior acumulação de gases.

    'Uma vistosa coluna de fumaça não é indício'

    Em um artigo publicado nesta semana na Science Advances, a equipe descreve vários exemplos de erupções explosivas, como a devastadora do monte Santa Helena em 1980 e, mais recente, a catástrofe de Pinatubo (1990), para demonstrar como "nosso modo de vida moderno pode ser severamente alterado" por uma atividade vulcânica explosiva.

    Também afirmam que a explosão mais potente da história moderna ocorreu em 1815 no monte Tambora, na Indonésia, e que existe entre 10 e 50% de probabilidades de que algo parecido se repita no século XXI.

    Porém, os pesquisadores se focaram em amostras recolhidas em torno do Etna, o maior vulcão da Sicília. Entre suas várias erupções, houve uma de enorme potência.

    "As constantes e vistosas colunas de fumaça sobre o cume de um vulcão não devem necessariamente interpretadas como sinal de uma iminente erupção perigosa", adverte di Genova.

    Pelo contrário, a inatividade de vulcões aparentemente pacíficos pode ser enganosa". Segundo esta ideia, os indícios de uma eventual catástrofe podem ser tão pequenos que nem todo microscópio permite registrá-los.

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    Tags:
    gás, ciência, erupção, cristal, vulcão
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