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    Coronavírus no mundo no fim de setembro (49)
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    Cientistas descobriram uma característica do novo coronavírus que não só ajudará a impedir a infecção como permitirá tratar outras doenças.

    As pessoas infectadas com o novo coronavírus podem o estar espalhando sem saber devido a ele bloquear a sensação de dor, segundo uma pesquisa publicada no servidor de pré-impressão bioRxiv.

    Após examinar dois estudos publicados no servidor, a equipe de cientistas se interessou pela descoberta de que as famosas proteínas em forma de espinho (usadas pelo SARS-CoV-2 para entrar no corpo humano) se podem ligar à proteína humana chamada neuropilina-1, e não só à até agora frequentemente citada ACE2, diz Rajesh Khanna ao portal The Conversation.

    A proteína neuropilina-1 é normalmente responsável pelo crescimento dos vasos sanguíneos, bem como pelo crescimento e sobrevivência dos neurônios.

    No entanto, quando a neuropilina-1 se liga à proteína Fator de Crescimento Endotelial Vascular A (VEGF-A, na sigla em inglês), ela desencadeia sinais de dor, transmitidos através da medula espinhal para os centros cerebrais superiores para causar a sensação que todos conhecemos. O papel da neuropilina-1 na dor nunca foi explorado até agora, indica a equipe.

    "Quando a proteína spike [espinho] se liga à proteína neuropilina-1, ela bloqueia a ligação da proteína VEGF-A e, portanto, sequestra o circuito de dor da célula. Esta ligação suprime a excitabilidade dos neurônios da dor, levando a uma menor sensibilidade à dor", escreve Khanna, coautor do estudo, que será publicado no jornal Pain.

    Os autores da pesquisa citam uma pesquisa anterior de 2018, na qual foi descoberta uma molécula, chamada EG00229, que também se liga à mesma região da proteína neuropilina-1 e bloqueia a dor. A proteína já foi anteriormente usada no tratamento do câncer, usando um anticorpo chamado MNRP1685A, que reconhece e se liga à neuropilina-1 e bloqueia a ligação VEGF, mas causou dor em vez de bloqueá-la como resultado.

    A análise da estrutura da proteína neuropilina-1 pode permitir criar novos medicamentos visando este local crítico, que, para além do alívio da dor, também controla o crescimento dos axônios e a sobrevivência celular.

    "Vírus sorrateiro, engana as pessoas para pensarem que não têm COVID-19. Mas, ironicamente, ele pode estar nos dando o conhecimento de uma nova proteína, crítica para a dor", comentam os cientistas.

    "Dois caminhos surgem pela frente: (1) bloquear a neuropilina-1 para limitar a entrada do SARS-CoV-2, e (2) bloquear a neuropilina-1 para bloquear a dor", recomendam.

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    Coronavírus no mundo no fim de setembro (49)

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