04:00 20 Outubro 2020
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    Como explicado pelo famoso matemático e cientista britânico, diferentes sistemas podem se reorganizar e se adaptar a padrões em resposta a mudanças ambientais.

    Os curiosos "círculos de fadas" em desertos poderiam ser explicados por uma teoria de 1952 formulada por Alan Turing, informa o portal Science Alert.

    Segundo disse o famoso matemático e cientista do Reino Unido, as dinâmicas de certos sistemas uniformes poderiam dar origem a padrões estáveis quando perturbados, que tem sido validada por diversos exemplos ao longo das décadas, tais como os padrões em células, conchas ou muitos animais.

    Esses estranhos círculos existem também em locais como o deserto Namib na África Meridional e no interior da Austrália, cujas origens foram desprovidas de fatores externos.

    Círculos de fadas na Namíbia

    No entanto, alguns fenômenos visuais são difíceis de verificar, tais como em leopardos ou jaguares, devido ao comportamento dos felinos. Outro problema é que a maior parte dos estudos que propõem a existência de padrões Turing acaba não fazendo a pesquisa diretamente nos locais em questão.

    "Há um forte desequilíbrio entre os modelos teóricos de vegetação, suas suposições a priori e a escassez de provas empíricas de que os processos modelados são corretos do ponto de vista ecológico", explica a equipe autora de um estudo publicado na revista Journal of Ecology, liderada pelo ecologista Stephan Getzin da Universidade de Gottingen, na Alemanha.

    Assim, os cientistas usaram drones equipados com câmeras multiespectrais para investigar os "círculos de fadas", localizados perto da cidade mineira de Newman, região de Pilbara, Austrália Ocidental.

    A pesquisa trouxe à tona que as ervas mais úmidas, saudáveis e de alta vitalidade tinham maior probabilidade de formar esse tipo de círculo. Os pesquisadores acreditam que esse fenômeno acontece porque as plantas se organizam para aproveitar ao máximo os limitados recursos hídricos em um ambiente árido e severo.

    "O intrigante é que as gramíneas estão ativamente projetando seu próprio ambiente ao formar padrões de espaços simétricos", relatou Getzin.

    "A vegetação se beneficia da água de escoamento adicional fornecida pelos grandes círculos de fadas, e assim mantém o ecossistema árido funcional mesmo em condições muito duras e secas. Sem a auto-organização da relva, esta área provavelmente se tornaria desértica, dominada por solo descoberto", conclui.

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    Tags:
    Reino Unido, Austrália, África
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