06:03 25 Outubro 2020
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    Pesquisadores estabeleceram que a sombra do buraco negro M87 se altera periodicamente.

    Os resultados da pesquisa foram publicados pela Astrophysical Journal. Em 2017, o telescópio Event Horizon (EHT, na sigla em inglês) obteve o primeiro registro na história da Astronomia de um buraco negro, o Messier 87 (M87).

    Imagem do buraco negro no centro da galáxia M87, captada pelo projeto Event Horizon Telescope (Telescópio de Horizonte de Eventos)
    Imagem do buraco negro no centro da galáxia M87, captada pelo projeto Event Horizon Telescope (Telescópio de Horizonte de Eventos)

    A teoria da relatividade geral estipula que objetos espaciais como os buracos negros deformam a estrutura do tempo ao seu redor a ponto de começarem a cintilar.

    À medida que este fenômeno ocorre, segundo a teoria, é criada uma sombra assimétrica. A imagem de 2017 confirmou completamente a teoria, sendo possível observar o brilho variável causado pela sombra do M87.

    Os pesquisadores envolvidos utilizaram dados coletados entre 2009 e 2013 pelo telescópio para estudar como a sombra se comportou.

    A partir do estudo, foi possível identificar que a sombra do buraco negro já existia anteriormente. Sua posição e tamanho desde 2009 não mudaram, mas, no mesmo período, algumas vezes a distribuição azimutal do brilho foi alterada. Se revelou que o setor escuro da sombra está mudando constantemente.

    "A análise dos dados demonstra que a orientação e estrutura fina do anel muda com o tempo. [...] O estudo desta região possui importância decisiva para a melhor compreensão de como os buracos negros se fundem com a matéria, assim como lançam jatos relativísticos", afirmou um dos autores do estudo, Thomas Kirchbaum.

    Os pesquisadores explicam que a cintilação é produzida quando o gás que cai no buraco negro é aquecido a bilhões de graus Celcius, enquanto se ioniza e se torna turbulento na presença de campos magnéticos.

    Devido ao fluxo de matéria turbulenta, a cintilação do anel do buraco negro oscila periodicamente.

    Contudo, para que esta hipótese seja comprovada, ainda são necessárias mais investigações. "O monitoramento no tempo da estrutura do M87 com ajuda do EHT é uma missão que vai nos manter na expectativa pelos próximos anos", comentou o pesquisador Anton Zensus, fundador do Conselho de Cooperação com o EHT.

    Os astrônomos esperam que, no futuro, novos telescópios possam permitir obter imagens com mais detalhe do buraco negro M87.

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    Tags:
    astronomia, espaço, gás, buraco negro, pesquisa, ciência
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