02:56 20 Outubro 2020
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    Ainda que a matéria escura represente a maior parte do Universo, até agora os cientistas não conseguem explicar sua natureza, se baseando no estudo do seu impacto gravitacional sobre a matéria normal.

    Em um estudo recente da Universidade de Cornell (EUA), os pesquisadores chamaram a atenção para a possível existência de "buracos negros extremamente massivos" (SLABs, sigla em inglês), cujo tamanho pode ser comparável a 100 bilhões de sóis ou mais, o que teoricamente pode fornecer mais dados sobre a natureza da matéria escura.

    Hoje em dia, o maior buraco negro registrado pelos cientistas é o TON618, cuja massa corresponde a 66 milhões de sóis.

    "É incrível que até agora fosse dada tão pouca atenção à provável existência de buracos negros extremamente massivos, porque eles podem existir em princípio", disse o coator do estudo Florian Kuhnel, cosmólogo da Universidade Ludwig Maximilian (Alemanha).

    Até agora não existem evidências da existência de buracos negros tão grandes, tampouco teorias viáveis sobre sua possível formação. A teoria convencional assume que os SLABs surgiram após buracos negros menores se fundirem uns com os outros, mas ela acabou sendo errada, porque os buracos negros não poderiam ter alcançado tamanhos tão grandes considerando a idade do Universo.

    Tal fez com que os pesquisadores supusessem que os buracos negros têm origens primordiais, alegando que, logo após o Big Bang, quando o Universo surgiu, flutuações aleatórias de densidade podiam ter concentrado suficiente matéria para se transformar em buracos negros, que por sua vez serviram de "sementes" para estruturas similares maiores no futuro.

    Representação artística mostra o entorno do buraco negro supermassivo no coração da galáxia ativa NGC 3783 na constelação sul de Centauro
    Impressão artística sobre o entorno do buraco negro supermassivo na galáxia NGC 3783

    A existência de buracos negros primordiais poderia ajudar a desvendar o mistério da matéria escura, responsável por cerca de 80% do Universo. Esta matéria não emite luz ou energia, e nenhum pesquisador jamais a viu.

    Buracos negros primordiais podem ser detectados com ajuda de uma lente gravitacional ou captando efeitos que eles têm sobre o meio circundante. Outro método é o uso de partículas massivas de interação fraca (WIMPs, sigla em inglês). Se elas realmente existem, os buracos negros estariam se juntando em torno delas, permitindo que os cientistas os detectem capturando raios gama de alta energia resultantes da aniquilação das WIMP.

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    Tags:
    espaço, Universo, buraco negro
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