00:34 22 Outubro 2020
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    Trata-se dos primeiros sinais diretos da presença humana encontrados na península Arábica.

    Uma equipe de pesquisadores conseguiu reconstruir em detalhes como, há 120 mil anos, um grupo de Homo sapiens se encontrou próximo de um lago pouco profundo no que agora se conhece como norte da Arábia Saudita.

    O motivo provável seria beber água ou seguir as manadas de camelos, elefantes ou burros selvagens que frequentavam essa região. As pegadas humanas secaram e se fossilizaram, deixando aos cientistas uma rara evidência da presença humana na península Arábica.

    A cena é descrita em um estudo publicado na revista Science Advances, nesta quinta-feira (17), a partir de vestígios de 120 mil anos encontrados no deserto de Nefud.

    ​Em nossa última pesquisa, publicada na Science Advances e liderada por Stewie Stewart, descrevemos pegadas fossilizadas de cerca de 120 mil anos cravadas em um antigo depósito de um lago na Arábia Saudita

    O arqueólogo Michael Petraglia, chefe da equipe de pesquisa do Instituto Max Planck para Ciência da História Humana (Alemanha), indicou que "são as primeiras pegadas humanas genuínas na Arábia", região que há muito tempo era considerada como uma rota de migração dos antigos representantes da nossa espécie, da África até o Oriente Médio e Eurásia.

    Previamente, a exploração humana da península Arábica somente estava evidenciada por ferramentas de pedra encontradas na região. Até agora, a única prova de que a região esteve povoada por humanos, e não somente por outro hominídeo, havia sido um osso de dedo humano, de 88 mil anos.

    Os cientistas identificaram dezenas de milhares de antigos depósitos de água doce, entre eles um no deserto de Nefud, chamado Alathar, o que em árabe significa "o rastro".

    No local, detectaram centenas de pegadas em seu leito, em sua maioria deixadas por camelos, elefantes, búfalos gigantes ou burros selvagens, e descobriram que sete delas pertenciam a humanos.

    Ao comparar o tamanho e a forma daqueles rastros com as dos neandertais, os pesquisadores argumentaram que foram muito provavelmente deixadas por representantes do Homo sapiens, já que pertenciam com grande probabilidade a pessoas mais altas, com pés mais compridos e uma massa corporal menor.

    Un neandertal (imagem referencial)
    Um neandertal (imagem referencial)

    Assim, determinaram que os sedimentos acima e abaixo das pegadas têm entre 121 mil e 112 mil anos, respectivamente, épocas quando no Oriente Médio não havia neandertais e, portanto, mais um indício a favor da hipótese de que eram Homo sapiens, explicou o coautor do estudo Mathew Stewart.

    Em declarações para a AFP, Stewart assegurou que seu trabalho demonstra que "as rotas interiores que seguem os lagos e rios podem ter sido particularmente importantes para que os humanos se dispersassem fora da África".

    Petraglia, por sua parte, salientou que "a presença de animais grandes, como elefantes e hipopótamos, junto com pastos abertos e grandes reservas de água, pode ter feito do norte da Arábia um lugar particularmente atrativo para os humanos que se moveram entre a África e a Eurásia".

    Contudo, os pesquisadores ainda não podem descartar por completo que possam ter sido neandertais os que deixaram aquelas pegadas, acredita a paleontóloga Marta Mirazón Lahr, da Universidade de Cambridge (Reino Unido).

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    Tags:
    pegada, Península Arábica, arqueologia, homo sapiens, humanidade
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