05:59 23 Outubro 2020
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    Especialistas consideram que o fluxo de frações de poeira grossa favoreceu a fertilidade dos solos, e, dessa forma, a sobrevivência dos primeiros humanos.

    Um novo estudo defende que a existência de uma antiga civilização humana poderia ter dependido da qualidade do pó presente em uma região fértil a leste do Mediterrâneo, chamada Levante. Os resultados da pesquisa foram publicados recentemente pela revista científica Geology.

    Segundo os especialistas, o Levante serviu como porta de entrada fundamental entre o norte da África e a Eurásia. Contudo, se a fonte de poeira na área não tivesse mudado há 200 mil anos, os primeiros humanos teriam tido mais dificuldade para sair do continente africano.

    Mapa da região do Levante, no Oriente Médio
    © Foto / Rivka Amit / Geology
    Mapa da região do Levante, no Oriente Médio

    Ainda assim, os geólogos consideram que a presença de solos grossos no Levante, que tendem a se formarem em climas úmidos, o que facilitou aos primeiros humanos se estabelecerem na área. Diferentemente dos solos finos, que se formam em ambientes áridos com taxas de meteorização (decomposição de minerais e rochas) mais baixas.

    Contudo, nos arredores do Mediterrâneo ocorre o contrário. As regiões mais úmidas do norte têm solos finos e improdutivos, enquanto as regiões mais áridas do sudeste têm solos grossos e produtivos.

    Papel determinante da entrada do pó

    Até o momento, esses padrões eram atribuídos a diferenças nas taxas de erosão impulsionadas pela atividade humana. Porém, a doutora Rivka Amit, do Serviço de Geologia de Israel, considera que a alta taxa de erosão não era uma razão suficiente.

    Após a análise de amostras de pó dos solos da região, Amit e sua equipe concluíram que, provavelmente, a entrada de pó representou um papel determinante nas taxas de meteorização quando estas eram muito lentas para formar solos a partir de rochas.

    Os geólogos identificaram que os solos finos tinham um tamanho de grão de pó mais fino procedente de desertos distantes como o Saara, diferentemente dos sólidos produtivos, que tinham um pó grosso chamado "loess", procedente do deserto próximo de Néguev e seus enormes campos de dunas.

    Amit considera que a erosão não é tão relevante. "O importante é se você obtém uma afluência de frações [de poeira] grossas. [Sem isso], você obtém solos finos e improdutivos", agregou a autora do estudo, que comentou ainda que "todo o planeta estava muito empoeirado" naquela época.

    Finalmente, os cientistas se surpreenderam ao encontrar solos mais finos debaixo do "loess" identificado no Levante, também conhecido como "terra do leite e mel" devido à sua produtividade.

    "Sem os ventos ferozes e a formação do campo de dunas do Néguev, a área fértil que serviu como passagem para os primeiros humanos poderiam ter sido extremamente difícil de atravessar e sobreviver", pois teria sido um entorno hostil, concluiu Amit.

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    Tags:
    civilização, pesquisa, Oriente Médio, solo, história, ciência
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