07:37 26 Outubro 2020
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    Em pouco mais de uma década, amostras do solo marciano serão enviadas para a Terra. Estudo mostra por que será muito difícil encontrar compostos orgânicos no Planeta Vermelho.

    Cientistas da Universidade Cornell, EUA, e do Centro de Astrobiologia da Espanha realizam simulações envolvendo argila e aminoácidos para tirar conclusões sobre a provável degradação do material biológico em Marte. Os pesquisadores identificaram que fluidos presentes na superfície do Planeta Vermelho no passado podem ter impedido a conservação de moléculas orgânicas no solo de Marte. Essa descoberta foi publicada na terça-feira (15) na revista científica Nature Scientific Reports.

    "Sabemos que fluidos ácidos jorraram na superfície de Marte no passado, alterando as argilas e sua capacidade de proteger os orgânicos", explica Alberto G. Fairén, um dos autores do estudo, ao portal Phys.org.

    Argila é um dos alvos preferidos na busca por vida em Marte porque ela protege o material orgânico molecular em seu interior. No entanto, a presença de ácido na superfície pode ter comprometido a capacidade da argila de proteger evidências de vidas anteriores.

    Apagando a história

    No laboratório, os pesquisadores simularam as condições da superfície marciana com o objetivo de preservar um aminoácido chamado glicina na argila, que havia sido previamente exposta a fluidos ácidos.

    "Usamos glicina porque poderia se degradar rapidamente nas condições ambientais do planeta […]. É um informante perfeito para nos dizer o que estava acontecendo dentro de nossos experimentos", comenta Fairén.

    Relevo intrigante semelhante a um waffle na superfície de Marte
    Relevo intrigante semelhante a um waffle na superfície de Marte

    Após uma longa exposição à radiação ultravioleta semelhante à de Marte, os experimentos mostraram fotodegradação das moléculas de glicina na argila. A exposição a fluidos ácidos apagou o espaço entre as camadas, transformando-se em uma sílica gelatinosa.

    "Quando as argilas são expostas a fluidos ácidos, as camadas colapsam e a matéria orgânica não pode ser preservada. Elas são destruídas […]. Nossos resultados neste artigo explicam por que a busca por compostos orgânicos em Marte é tão difícil", lamenta o cientista.

    Missões em Marte

    O impacto das substâncias sobre o solo marciano representa um desafio para missões espaciais que visam estudar a superfície do Planeta Vermelho, como é o caso da sonda Perseverance, da agência espacial norte-americana NASA.

    Lançada ao espaço em julho deste ano, a espaçonave deve pousar em Marte em fevereiro de 2021. A missão Perseverance coletará amostras de solo marciano e as enviará para a Terra por volta de 2030.

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    Terra, NASA, Marte, Universo
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