15:08 27 Setembro 2020
Ouvir Rádio
    Ciência e tecnologia
    URL curta
    Mundo e COVID-19 no final de agosto (52)
    0 52
    Nos siga no

    A vacina entrou na primeira fase de testes em humanos na segunda-feira (24) e é esperado que possa ser lançada na primavera de 2021.

    Uma vacina italiana contra a COVID-19, que está sendo desenvolvida pela empresa de biotecnologia ReiThera, será facilmente adaptável a várias estirpes do vírus, disse Giuseppe Ippolito, o diretor científico do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas Lazzaro Spallanzani, Roma, à Sputnik.

    "A plataforma vacinal que é utilizada pela candidata italiana à vacina, inventada pela ReiThera e baseada em um vetor viral não replicativo, não deve ser dependente de cepas. Em qualquer caso, porém, ela é facilmente adaptável a diferentes vírus ou cepas do mesmo vírus", disse Ippolito.

    Ao mesmo tempo, Ippolito observou que, até o momento, as evidências científicas demonstraram que as mutações sofridas pelo vírus SARS-CoV-2 foram insignificantes.

    A vacina entrou na segunda-feira (24) na primeira fase de testes em humanos no Instituto Nacional de Doenças Infecciosas Lazzaro Spallanzani.

    Segundo o cientista, os primeiros resultados da primeira fase só estarão disponíveis em alguns meses, enquanto os resultados finais serão apresentados à comunidade científica internacional somente após as 24 semanas previstas pelo protocolo de pesquisa.

    Ippolito também disse que, na Itália, uma vacina só pode ser aprovada para uso popular após a conclusão bem sucedida das fases 1, 2 e 3 dos ensaios, com um aumento gradual do número de voluntários. Durante a fase 3, a vacina também deve ser testada nos países onde há uma maior circulação do vírus e, portanto, uma maior probabilidade para os vacinados de contrair a infecção.

    "A primavera de 2021 já é uma previsão otimista. Pensar agora na possibilidade de completar a experimentação mais cedo não seria sério", disse o cientista.

    A segurança da vacina para vários grupos da população e os possíveis efeitos adversos só se tornarão claros quando todas as fases forem concluídas, disse Ippolito, acrescentando que a vacina deverá receber depois disso a aprovação da agência reguladora nacional, a Agência Italiana de Medicamentos.

    "Do lado positivo, agora existem muitos testes de vacinas em todo o mundo, os quais utilizam tecnologias diferentes: esperamos, portanto, que mais cedo ou mais tarde várias vacinas estejam disponíveis, cada uma das quais também pode ter perfis de eficácia mais adequados a grupos demográficos específicos", comentou Ippolito.

    Vacinação das populações

    Além de trabalhar com sua própria vacina, a Itália, juntamente com a Alemanha, França e Países Baixos, assinou um contrato com a AstraZeneca para fornecer até 400 milhões de doses da vacina, que a empresa está desenvolvendo com a Universidade de Oxford britânica, para a Europa.

    A fase de experimentação desta vacina está mais avançada do que a da italiana e se espera que termine no outono.

    "A vacina não pode e não deve se tornar uma ferramenta política ou, pior, o detonador de uma nova guerra fria", advertiu Giuseppe Ippolito. "A Itália considera a vacina como um bem comum: em uma pandemia como esta ninguém se salva sozinho, e as fronteiras entre nações fazem pouco sentido em comparação a um patógeno que não precisa de vistos e documentos para se mover de uma nação para outra."

    Embora a Itália e a Europa estejam caminhando na direção da saúde global, tentando conciliar a necessidade de proteção de seus cidadãos com a necessidade de que a vacina esteja disponível a preços aceitáveis, a disponibilidade de uma vacina produzida na Itália permite que o país olhe para o futuro com confiança, acrescentou o cientista.

    De acordo com Francesco Vaia, diretor médico do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas Lazzaro Spallanzani, a vacina deverá estar pronta para uso na primavera de 2021.

    Tema:
    Mundo e COVID-19 no final de agosto (52)

    Mais:

    Fiocruz e Anvisa coordenam produção da vacina contra COVID-19
    COVID-19: só vacina para todos os países pode garantir recuperação global, diz diretor da OMS
    Coronavírus estaria se transformando em estirpes mais perigosas? Estudo esclarece
    Cientistas italianos afirmam ter desenvolvido 1ª vacina do mundo contra coronavírus
    Tags:
    Roma, Sputnik Itália, Sputnik, França, Alemanha, Reino Unido, Universidade de Oxford, Europa, COVID-19, Itália
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar