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    Coronavírus no mundo em meados de agosto (58)
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    Em 1901, o primeiro Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina da história foi concedido ao bacteriologista alemão Emil Adolf von Behring por desenvolvimento de soro contra difteria.

    Anos antes, o médico alemão descobriu com o japonês Shibasaburo Kitasato que coelhos e ratos, ao receberem injeções de um cultivo esterilizado de difteria e tétano, poderiam produzir uma antitoxina contra estas doenças.

    A possibilidade de se obter grandes quantidades de soro antidiftérico foi alcançada através dos cavalos. Desde então, o soro equino permitiu elaborar diversos antídotos contra infecções como a raiva, além de ser eficaz para neutralizar o veneno de víboras ou as picadas de escorpiões e aranhas.

    Na pandemia que surpreendeu todo o mundo em pleno século XXI, pesquisadores buscam uma estratégia terapêutica baseada em anticorpos policlonais equinos, um projeto apoiado pelos ministérios argentinos da Saúde e da Produção, além do de Ciência e Tecnologia.

    Do animal ao humano

    "Não há até o momento nenhum tratamento específico que tenha demonstrado esta eficácia", afirma à Sputnik Mundo Pedro Goldbaum, diretor científico da companhia de biotecnologia Inmunova, que elabora esta solução hiperimune junto com outras instituições públicas e privadas.

    Os anticorpos são obtidos ao fornecer como antígeno aos cavalos uma proteína do vírus SARS-CoV-2, que reconhece e entra em células dos tecidos pulmonares. Estes anticorpos são então purificados.

    "São tratados com uma enzima, que é uma tesoura molecular, que lhes tira a parte que poderia gerar reações por ser uma proteína de animais em humanos. Então, são convertidas em fragmentos que sejam seguros e tenham capacidade de se unirem ao vírus", detalha Goldbaum.

    O pesquisador faz alusão ao único tratamento que pacientes contagiados pelo coronavírus em situação grave podem receber atualmente, que consiste na transfusão de plasma de pacientes recuperados, e acrescenta que sua eficiência não é garantida pela ciência.

    Os anticorpos equinos, pelo contrário, não somente são produzidos em grande quantidade, mas são capazes de neutralizar o vírus com potência "de 50 a 100 vezes maior que a do plasma de convalescente", compara Goldbaum.

    Testes em curso

    A Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica (Anmat) da Argentina, de fato, deu seu aval para que os cientistas prosseguissem com testes clínicos, que serão concluídos no final de setembro, em 242 pacientes com COVID-19.

    Cientista trabalha em laboratório na Argentina
    © AP Photo / Natasha Pisarenko
    Cientista trabalha em laboratório na Argentina

    "Estes anticorpos aplicados ao paciente no começo da doença poderiam frear a replicação viral, que é o que buscamos demonstrar", indica o cientista.

    "Pensamos que em outubro poderemos demonstrar sua eficácia, de maneira que nosso medicamento esteja disponível para ser utilizado de maneira massiva", considera Goldbaum.

    Sobre seu possível futuro custo, o diretor da Inmunova não quis especificar. Contudo, salienta que será mais econômico que um dia de internação em terapia intensiva.

    No Brasil, uma pesquisa de cunho semelhante também está em curso. O Instituto Vital Brazil busca discutir os atuais protocolos de proteção de soro equino. Os estudos clínicos do novo medicamento ocorrerão em parceria com o Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) para disponibilizar o tratamento no território brasileiro.

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    Tags:
    pesquisa, Argentina, ciência, medicamento, novo coronavírus, COVID-19
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