02:09 01 Outubro 2020
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    A sonda Juno, em órbita no planeta desde 2016, detectou um novo tipo de raio na atmosfera de Júpiter.

    Os raios observados pela Juno mostraram que são formados na atmosfera alta de Júpiter, que é fria demais para ter água líquida, onde a amônia atua como um descongelante, mantendo as nuvens mais frias, que explodem em cristais de gelo conforme o raio sopra.

    "Nestas altitudes, a amônia age como um descongelante, diminuindo o ponto de derretimento de água congelada e permitindo a formação de uma nuvem com amônia e água líquida", afirmou Heidi Becker, responsável pela pesquisa de Monitoramento de Radiação da Juno no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

    Ilustração retrata tempestades elétricas de alta altitude em Júpiter
    Ilustração retrata tempestades elétricas de alta altitude em Júpiter

    "As fortes tempestades arremessam cristais de gelo a mais de 25 quilômetros acima das nuvens de água de Júpiter, onde encontram vapor de amônia. Ali, o gelo derrete e se mistura com a amônia, formando nuvens. As gotas dessa mistura podem colidir com os cristais de gelo e eletrificar as nuvens", afirmou a física da NASA e coautora do artigo publicado na Nature.

    Juno revela uma topografia complexa no topo das nuvens de Júpiter
    Juno revela uma topografia complexa no topo das nuvens de Júpiter

    O fenômeno pode indicar o que ocorre nas profundezas da atmosfera do gigante gasoso, que é mais de 100 vezes maior que a Terra.

    "Anteriormente, os cientistas notaram que estavam faltando pequenos bolsões de amônia [...]. Estávamos nos esforçando para explicar o esgotamento de amônia [...]. Então percebi que um sólido, como uma pedra de granizo, pode ir mais fundo e absorver mais amônia", afirmou Scott Bolton, principal pesquisador da Juno.

    Esquema da formação de nuvens em Júpiter
    Esquema da formação de nuvens em Júpiter

    Com isso, os cientistas perceberam que possuíam evidências de que a amônia era misturada com a água na alta atmosfera e, sendo assim, o raio era uma peça fundamental do quebra-cabeça para resolver o mistério da falta de amônia de Júpiter.

    "As correntes de ar quente não conseguem segurá-las, então, caem profundamente na atmosfera, onde encontram temperaturas mais altas e evaporam, liberando a amônia", citou Tristan Guillot, físico da Universidade Côte d'Azur e autor principal do artigo publicado na revista científica Journal of Geophysical Research: Planets.

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    Tags:
    sonda espacial, NASA, cientistas, estudos, nuvens, Júpiter
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