07:16 28 Setembro 2020
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    Uma equipe internacional, contando com um pesquisador português do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), descobriu a "primeira anomalia gigante" na atmosfera de Vênus.

    Segundo comunicado das agências espaciais norte-americana (NASA), japonesa (JAXA) e do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), na atmosfera de Vênus, constituída principalmente por dióxido de carbono e nuvens de ácido sulfúrico, foi descoberta uma perturbação à escala planetária que tinha passado despercebida por 35 anos.

    A perturbação atmosférica está se deslocando rapidamente a aproximadamente 50 quilômetros acima da superfície do planeta. Sua descoberta foi relatada em um estudo publicado na Geophysical Research Letters.

    O fenômeno recém-descoberto pode se estender por 7.500 quilômetros através do equador, "deslizando periodicamente em torno do globo sólido em cinco dias, a aproximadamente 328 quilômetros por hora".

    De acordo com o pesquisador português Pedro Machado, se o fenômeno ocorresse na Terra, "seria como uma superfície frontal, mas à escala planetária, o que é algo inacreditável".

    "É tão inesperado que ainda não é possível explicar como é formado e como se mantém, mas vai revolucionar a modelação atmosférica nos próximos tempos", observa Pedro Machado, do IA.

    Há muito que a atmosfera de Vênus desperta a curiosidade dos pesquisadores, principalmente pelo fato de ela rodar em torno do planeta 60 vezes mais rápido do que Vênus gira sobre si próprio, algo que continua inexplicável.

    "Esta descoberta pode provocar uma grande discussão na comunidade científica [...] Isto é algo que eu adoro na ciência, pois abrimos uma nova janela que vai provocar muita pesquisa e colaboração internacional, de modo que possamos compreender um pouco mais o Universo", afirmou Pedro Machado.

    O líder do estudo, Javier Peralta, afirmou que, uma vez que a anomalia não é observada em imagens em ultravioleta que captam o topo das nuvens, "torna-se de fundamental importância confirmar sua natureza ondulatória".

    "Podemos finalmente ter encontrado uma onda capaz de transportar impulso e energia da atmosfera profunda para as nuvens superiores, onde ela se dissiparia", afirmou.

    "Essa perturbação atmosférica é um novo fenômeno meteorológico, nunca visto em outros planetas. Por isso, é difícil fazer uma interpretação física confiável [...] mas não temos dúvidas de que seus efeitos cíclicos sobre as propriedades das nuvens e distribuição de aerossóis atmosféricos são de fundamental importância para completar o quebra-cabeça de Vênus", ressalta Peralta.

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    Tags:
    NASA, estudos, nuvens, Espaço, espaço, exoplanetas, exoplaneta, planetas, planeta
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