22:57 11 Agosto 2020
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    O fragmento de um meteorito encontrado na Terra em 1999 será usado para estudar a composição do Planeta Vermelho antes e depois da missão Perseverance da NASA, que procurará sinais de vida em Marte.

    Um fragmento de meteorito de Marte será levado de volta depois de ter deixado o Planeta Vermelho há 600 mil anos e chegado à Terra há mil anos, informa a emissora britânica BBC. A missão é única, pois será a primeira vez que um resto do corpo celeste será reposto no seu local de origem.

    Meteorito SaU 008
    © Foto / NASA/JPL-Caltech
    Meteorito SaU 008

    O meteorito SaU 008, do qual vem a rocha, foi encontrado em Omã em 1999. Detectaram no meteorito pequenas bolhas de gás com a combinação exata das condições atmosféricas de Marte. A rocha foi então colocada no Museu de História Natural do Reino Unido e deverá ser levada a Marte na quinta-feira (30) como parte da missão do robô Perseverance da agência espacial norte-americana NASA, cujo objetivo principal é encontrar sinais de vida no Planeta Vermelho.

    "Esta pequena rocha tem uma grande história de vida", afirma Caroline Smith, diretora das Coleções de Ciências da Terra e curadora principal de meteoritos no Museu de História Natural do Reino Unido.

    "Ela se formou há cerca de 450 milhões de anos, sendo explodida em Marte por um asteroide ou cometa há aproximadamente 600 mil a 700 mil anos e depois aterrissou na Terra. Não sabemos exatamente quando [foi], mas talvez há mil anos e agora está voltando a Marte".

    Maior propósito do ato

    O SaU 008 também terá um pedaço colocado no espectrômetro SHERLOC (sigla em inglês para Analisando Ambientes Habitáveis com Raman e Luminescência para Orgânicos e Químicos), transportado pelo Perseverance, que utilizará um laser para analisar a composição química e orgânica das rochas marcianas na cratera Jezero, onde o robô aterrissará.

    "O pedaço de rocha que estamos enviando foi especificamente escolhido porque é o material certo em termos de química, mas também é uma rocha muito dura", explica Smith ao jornal britânico The Guardian. "Alguns dos meteoritos marcianos que temos são muito frágeis. Este meteorito é tremendamente resistente".

    O espectrômetro ajudará tanto a "preparar o voo espacial humano" como a "realizar investigações científicas fundamentais da superfície marciana", garante o co-investigador e curador de materiais extraterrestres Marc Fries, do Centro Espacial Johnson da NASA, EUA.

    Além do SaU 008, mais nove materiais serão testados no Planeta Vermelho.

    "Isso nos fornece uma maneira conveniente de testar material que manterá os futuros astronautas seguros quando chegarem em Marte", comenta Fries.

    Anteriormente, um pedaço de meteorito foi lançado para a órbita de Marte, mas esta será a primeira vez que será levado diretamente à superfície do planeta.

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    Tags:
    EUA, NASA, The Guardian, Omã, Terra, BBC, Marte
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