04:58 02 Dezembro 2020
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    Residentes de Neve Daniel, no monte Carmelo em Israel, produziram ferramentas de pedra miniaturizadas altamente sofisticadas e eficazes, segundo pesquisa sino-israelense.

    Milhares de anos antes de Israel ganhar fama mundial como uma nação startup, grupos pré-históricos da região – a necessidade é a mãe de todas as inovações – dominavam seu próprio tipo de nanotecnologia.

    Segundo um artigo publicado pelo jornal The Jerusalem Post, novas pesquisas efetuadas por arqueólogos israelenses e chineses mostraram como os antigos residentes de Neve Daniel, no monte Carmelo – onde o profeta Elias teria provado aos homens que o Deus de Israel era o verdadeiro Deus, produziam ferramentas miniaturizadas altamente eficazes.

    "Neve David apresenta vestígios de uma sociedade que viveu na área há cerca de 20 mil anos durante o período Epipaleolítico", afirmou a arqueóloga israelense Iris Groman-Yaroslavski ao The Jerusalem Post.

    A cientista acrescenta que no local foram encontrados traços de "uma rica cultura material, incluindo uma vasta quantidade de pequenas ferramentas de sílex, pequenas lâminas não maiores que cinco centímetros".

    O período Epipaleolítico se iniciou cerca de 20 mil anos a.C. e se caracterizou pela fabricação de sofisticadas ferramentas de pedra utilizando lâminas de micrólitos.

    A matéria-prima para fabricá-las era abundante no monte Carmelo. A pedra tinha que ser batida para criar o núcleo do objeto e depois batida novamente em fases sucessivas para criar a ferramenta necessária, em um processo que exigia mãos altamente hábeis.

    ​Milhares de anos antes de Israel ganhar fama como "nação startup", grupos pré-históricos na região dominavam seu próprio tipo de nanotecnologia

    As lâminas eram moldadas em diferentes formas – curvas, triangulares, retangulares bem como com a forma geométrica de trapézios – criando ferramentas líticas chamadas de micrólitos, de tamanho extremamente pequeno.

    Conhecida por estudar a confecção de armamento, Groman-Yaroslavski – que trabalhou com arqueólogos chineses da Universidade Zhejiang em Hangzhou (China) – se concentrou na versatilidade dos propósitos das ferramentas.

    Segundo Groman-Yaroslavski, os micrólitos poderiam ser utilizados para raspar, processar carne, cortar madeira e muitos outros materiais, bem como para criar lanças e flechas para caça e atividades afins.

    Além disso, eles eram frequentemente inseridos ou colados a outros objetos feitos de diferentes materiais, criando ferramentas compostas.

    Resultados da pesquisa

    "Pudemos ver como as pessoas os usavam para talhar o animal e distribuí-lo entre os membros do grupo, ou para cortar e coletar palha, plantas e outras coisas mais", afirmou a arqueóloga ao The Jerusalem Post.

    "A fim de entender como funcionavam, realizamos investigação microscópica e arqueologia experimental", explicou a arqueóloga. "Se hoje imaginássemos usar uma lâmina de dois centímetros de comprimento para cortar madeira, como faríamos?"

    Um grupo de estudantes envolvidos no projeto criou algumas réplicas das ferramentas e as experimentou em diferentes materiais, comparando-as com as antigas encontradas no sítio arqueológico.

    "Ficamos surpresos ao descobrir quão eficazes elas eram, se usadas corretamente", apontou a arqueóloga, acrescentando que foram realizadas análises de desgaste de uso, utilizando um microscópio metalúrgico com ampliação de até 500 vezes.

    "É difícil provar a vantagem das ferramentas miniaturizadas em comparação com ferramentas maiores usadas antes ou depois, mas eu acho que elas representavam uma forma de sofisticação, que eu chamo de 'nanotecnologia da pré-história', ou seja, fazer as mesmas coisas com ferramentas menores, como acontece hoje com computadores e telefones", acrescentou Groman-Yaroslavski.

    Arqueólogos acreditam que este edifício serviu como propriedade real israelense no século IX a.C
    © Foto / Rachel Lindeman, courtesy of Omer Sergi and the Horvat Tevet Archaeological Project
    Arqueólogos acreditam que este edifício serviu como propriedade real israelense no século IX a.C

    Alguns milhares de anos depois, durante o Neolítico, o uso das ferramentas miniaturizadas começou a diminuir, até quase desaparecerem, há cerca de 11 mil anos.

    A cientista disse que este fenômeno poderia estar relacionado com vários fatores, desde mudanças climáticas até grupos que se tornaram maiores, exigindo, portanto, instrumentos diferentes.

    "Há cerca de nove mil anos, a produção de enormes lâminas com nova tecnologia muito sofisticada tomou conta de tudo", concluiu a arqueóloga.

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    Tags:
    civilizações antigas, cidade antiga, nanotecnologia, pré-histórico, Israel, artefatos
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