00:16 04 Agosto 2020
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    Pesquisadores nas Américas avaliaram alterações hidroclimáticas nos últimos séculos, concluindo que tanto mudanças climáticas naturais como antropogênicas podem ser causadoras de mudanças desde os anos 1930.

    Os anéis de árvores têm informação suficiente para revelar que a América do Sul tem sofrido aumentos tanto de secas como de precipitações desde meados do século XX, segundo um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America.

    Cientistas analisaram mudanças climáticas através de 286 árvores em Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, a maior parte da Bolívia, sul do Brasil e Peru, e também publicaram os resultados no Atlas da Seca Sul-Americana (SADA, na sigla em inglês), de acordo com um comunicado da Universidade de Columbia, EUA.

    Segundo os dados, que analisam a variabilidade da umidade de solo nos últimos 600 anos, os períodos entre secas intensas têm aumentado desde os anos 30, com uma seca a cada dez anos sendo medida desde os anos 60.

    "Os eventos hidroclimáticos cada vez mais extremos são consistentes com os efeitos das atividades humanas, mas o Atlas por si só não fornece evidências de quanto das mudanças observadas são causadas pela variabilidade climática natural ou pelo aquecimento induzido pelo homem", diz o paleoclimatologista Mariano Morales, do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (CONICET, na sigla em espanhol) da Argentina.

    Essas mudanças acontecem devido a mudanças cíclicas da temperatura da superfície do mar sobre o Pacífico e o Atlântico, a um cinturão de ventos do oeste ao redor da Antártica chamado de Modo Anular do Hemisfério Sul (SAM, na sigla em inglês), e ao fenômeno da célula de Hadley, que distribui ar quente e úmido a partir da linha do Equador, teorizam os pesquisadores.

    Os padrões de eventos climáticos extremos, em que partes da Argentina e do Chile sofrem algumas das piores secas já registradas, enquanto outras regiões no sudeste do continente têm condições altamente úmidas, seriam consistentes com os resultados da atividade humana sobre o planeta a partir de meados do século XX, mas alguns pesquisadores alertam que a ligação não está bem estabelecida.

    "Não queremos saltar para conclusões e dizer que tudo isso é mudança climática. Há muita variabilidade natural que poderia imitar a mudança climática induzida pelo homem", diz o paleoclimatologista Edward Cook, da Universidade de Columbia, EUA.

    Apesar de tudo, a equipe adverte que os gases de efeito estufa e os produtos químicos que reduzem a camada de ozônio podem estar interferindo nas mudanças naturais na América do Sul.

    Embora os anéis não possam nos dizer como esses extremos surgiram, os cientistas por trás da pesquisa esperam que o registro seja um ponto de referência útil para ser usado em combinação com outros conjuntos de dados e observações.

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    Tags:
    Peru, Brasil, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Chile, Argentina, EUA, América do Sul
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