04:07 04 Agosto 2020
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    Mundo enfrentando COVID-19 no início de julho (40)
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    O material genético relacionado à resposta imunológica herdada dos neandertais, que viveram há 40 mil anos, pode levar a uma maior propensão à infecção por coronavírus.

    Aproximadamente 8% da população europeia apresenta características incomuns em seus genes que podem causar problemas extras em meio à pandemia do coronavírus, revelou um novo estudo publicado na revista New England Journal of Medicine.

    "Esperávamos encontrar algo nos genes que torna algumas pessoas muito mais doentes que outras", afirmou ao canal NRK a pesquisadora e doutora Trine Folseraas do Hospital da Universidade de Oslo (Noruega).

    Algumas das variações genéticas problemáticas do tronco do cromossomo 3 aparentam ser uma herança dos neandertais, que viveram há 40 mil anos, afirmaram os pesquisadores Hugo Zeberg e Avante Paabo.

    O segmento em questão está presente principalmente na Europa e é muito menos comum em outras partes do globo. Somente 4% das populações do Leste Asiático o apresentam, enquanto ele é praticamente ausente na África.

    Alguns dos genes neandertais estão relacionados à maneira como o sistema imunológico trabalha, quando ajuda a criar uma defesa contra vírus.

    "Três destes genes enviam sinais para as células no sistema imunológico sobre como se mover pelo corpo", explicou a professora Anne Spurkland da Universidade de Oslo. Genes que acrescentam alguma vantagem são geralmente herdados.

    "Não teríamos mais estes genes se não fossem úteis", comentou Spurkland. "É quando dão a resposta errada do sistema imunológico que eles podem ser problemáticos."

    Agora, pesquisadores estão estudando como o vírus SARS-CoV-2 está enganando o corpo humano. Aparentemente, as células do corpo respondem no momento errado e causam uma severa reação ao coronavírus. A COVID-19 está associada, entre outras coisas, com células hiperativas do sistema imunológico se acumulando nos pulmões.

    Imagem de microscópio eletrônico de transmissão mostra SARS-CoV-2, o vírus que causa a COVID-19
    Imagem de microscópio eletrônico de transmissão mostra SARS-CoV-2, o vírus que causa a COVID-19

    O estudo sobre a associação dos genomas envolveu 1.980 pacientes contagiados em sete hospitais da Itália e Espanha.

    A pesquisa foi conduzida rapidamente e necessitou de uma grande cooperação internacional. De acordo com a pesquisadora Trine Folseraas, nenhum estudo semelhante foi realizado e publicado com esta velocidade.

    "Estas descobertas podem ser usadas para prever quem pode estar particularmente em risco de ficar gravemente doente", afirmou a doutora.

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    Tags:
    sistema imunológico, evolução, pandemia, neanderthal, genética, genes, COVID-19, novo coronavírus
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