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    Mundo enfrentando COVID-19 no início de julho (40)
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    Entre muitos outros métodos, os túneis desinfetantes não seriam eficientes como meio de prevenção da COVID-19, segundo renomado virologista da Alemanha.

    "Os principais locais de reprodução do SARS-CoV-2 se encontram nos brônquios e pulmões. Portanto, uma desinfecção exterior, provavelmente, não é tão eficiente, comentou Hendrik Streeck, diretor do Instituto de Virologia e Pesquisa do HIV da Universidade de Bonn (Alemanha).

    Streeck apontou que um túnel desinfetante poderia ajudar a prevenir o contágio por outros vírus, como o rotavírus ou o norovírus, já que "são as infecções de contato que podem permanecer em uma superfície durante muito tempo". Contudo, "para o coronavírus [uma desinfecção] não é primordial", salientou.

    Olga Izranova, diretora da Mizotty, fabricante de um túnel deste tipo que equipa a residência do presidente russo Vladimir Putin, expressou que se opõe à visão do virologista.

    "Um túnel não curará uma pessoa doente, mas reduzirá a probabilidade de contágio e diminuirá a quantidade de vírus na roupa", afirmou em um comentário à Sputnik.

    Izranova recordou que o serviço russo de proteção ao consumidor, Rospotrebnadzor, recomenda a desinfecção para a prevenção da COVID-19.

    "Consultamos um virologista bastante conhecido que diz que [em um túnel desinfetante] em certa medida se limpam as mucosas, porque de qualquer maneira [o aerossol desinfetante] entra na boca", agregou.

    Segunda onda da pandemia

    A pandemia do coronavírus não se desenvolverá em uma segunda onda, mas o vírus continuará presente para sempre e se tornará endêmico, acredita Streeck.

    "Vejo isso [que não haverá uma segunda onda da COVID-19] tanto a nível nacional, como internacional. Quero dizer que não espero que esse vírus desapareça. O SARS-CoV-2 será um novo coronavírus endêmico", disse.

    Os vírus endêmicos são aqueles que mantêm uma presença constante dentro de uma população em uma zona geográfica.

    O professor alemão recordou que "atualmente no mundo existem quatro coronavírus humanos endêmicos" que são "responsáveis por entre 10% e 30% de todos os casos de contágio pela gripe na Europa nos meses do inverno".

    "Na maioria dos casos, os coronavírus endêmicos causam doenças nas vias respiratórias superiores e inferiores. Acredito que o SARS-CoV-2 também está evoluindo para um coronavírus endêmico", salientou o virologista.

    Streeck se mostrou convencido de que é impossível erradicar a pandemia até que haja uma vacina. Desta forma, é necessário integrar o vírus "à nossa vida cotidiana".

    Movimentação no centro comercial da cidade de Maceió (AL) em meio à pandemia do novo coronavírus, Brasil, 30 de junho de 2020
    © Folhapress / Itawi Albuquerque/Agif
    Movimentação no centro comercial da cidade de Maceió (AL) em meio à pandemia do novo coronavírus, Brasil, 30 de junho de 2020

    "Devemos começar a conviver com o vírus. Isso requer entendermos quais medidas são mais eficazes", indicou.

    Em todo o mundo, foram registrados mais de dez milhões de casos de contágio pelo coronavírus, com mais de cinco milhões de pacientes recuperados, segundo a Universidade Johns Hopkins.

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    ciência, pandemia, vírus, COVID-19, novo coronavírus
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