05:25 31 Outubro 2020
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    Esturjão é um fóssil vivo, por ter permanecido constante em sua evolução. Pesquisadores analisam fósseis de peixe enigmático de 300 milhões de anos para averiguar se é ancestral do esturjão.

    Em um novo estudo publicado na revista Zoological Journal of the Linnean Society, uma equipe de pesquisadores liderados por Jack Stack, da Universidade de Michigan (EUA), examinou de perto o peixe Tanyrhinichthys mcallisteri, espécie piscícola que viveu há cerca de 300 milhões de anos em um ambiente de estuário onde hoje se situa o estado do Novo México (EUA).

    O estudo foi dissecado em um artigo publicado no portal Phys.org, por Katherine Unger Baillie, da Universidade da Pensilvânia.

    Ancestral do esturjão?

    Apesar de os Tanyrhinichthys mcallisteri serem muito semelhantes aos esturjões em algumas características, incluindo seu focinho saliente, acabaram demonstrando que tomaram um caminho evolutivo distinto das espécies que deram origem aos esturjões modernos.

    O primeiro fóssil de Tanyrhinichthys foi encontrado em 1984 em uma pedreira rica em fósseis perto de Albuquerque, no Novo México, e foi identificado como sendo parecido a um lúcio, um predador carnívoro de emboscada de focinho longo.

    Excelente artigo de Katherine Unger Baillie sobre a redescrição do Tanyrhinichthys (de minha autoria)

    Durante a última década, vários outros exemplares de Tanyrhinichthys seriam encontrados na mesma pedreira, onde há milhões de anos – quando existia o supercontinente Pangeia e um único oceano – borbulhava um estuário pleno de vida.

    "Esses achados foram um impulso para este projeto, por haver mais material deste peixe enigmático e estranho", afirmou Stack.

    Pesquisadores analisaram então os diversos fósseis de Tanyrhinichthys recolhidos. Com o objetivo de preencher lacunas e caracterizar melhor o Tanyrhinichthys, Stack e colegas examinaram não só os espécimes recolhidos, como estudaram outros fósseis de peixes do mesmo período.

    Estudo tridimensional

    Para facilitar a análise dos fósseis, reconstituíram tridimensionalmente a anatomia, usando como orientação as formas dos peixes modernos.

    A reconstituição levantou sérias dúvidas se o Tanyrhinichthys lembraria mesmo um lúcio, que tem focinho alongado com mandíbulas na extremidade, dado os espécimes apresentarem suas mandíbulas no fundo.

    E tal como os esturjões e outros peixes de estuários, onde as águas são por norma turvas, pareciam ter órgãos sensoriais pendentes do focinho como se fossem bigodes, para detectar as presas.

    Resultados

    Pesquisadores acabaram determinando que o Tanyrhinichthys não se aparentava a nenhuma das outras espécies da época nem era o ancestral do esturjão moderno. Em comum, possuem somente o focinho protuberante e achatado em forma de cunha para vasculhar e os bigodes para detectar as presas.

    Esta característica morfológica comum é um exemplo de evolução convergente, com as espécies chegando à mesma inovação para melhor se adaptarem ao meio ambiente.

    "Os peixes são muito bons em encontrar soluções para problemas ecológicos", sendo capazes de produzir morfologias totalmente novas, diz Stack.

    "Nosso trabalho, e a paleontologia em geral, mostra que a diversidade de formas de vida que são aparentes hoje tem raízes que se estendem até o passado", conclui.

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    Tags:
    arqueologia, fóssil, peixe, evolução
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