18:37 24 Novembro 2020
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    Pesquisadores norte-americanos analisaram durante anos as capacidades visuais desses pássaros, chegando à conclusão que eles distinguem várias cores não-espectrais que os humanos não conseguem diferenciar.

    Os beija-flores veem muitas mais cores que os humanos, e seus olhos distinguem não só a luz vermelha, verde e azul, como os humanos, mas também a luz no espectro ultravioleta, anunciaram cientistas da Universidade de Princeton, EUA. Os resultados do estudo foram publicados na segunda-feira (15) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

    Segundo afirmou Mary Caswell Stoddard, professora assistente do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da universidade, esses pássaros veem cores não-espectrais devido às capacidades tetracromáticas dos primeiros vertebrados, comuns a muitos animais, incluindo pássaros e muito provavelmente até os dinossauros.

    "Os humanos são daltônicos em comparação com aves e muitos outros animais", escreve o portal EurekAlert. "Ter um quarto tipo de cone de cor na visão [os humanos têm três] não só amplia a gama de cores visíveis para as aves no espectro ultravioleta, mas permite potencialmente que as aves vejam cores combinadas como ultravioleta+verde e ultravioleta+vermelho, mas isso tem sido difícil de testar", disse, se referindo aos beija-flores.

    A professora refere que já foram feitos estudos detalhados para averiguar a sensibilidade a diferentes cores por beija-flores, mas estes costumam ser feitos em laboratório, limitando nossa percepção sobre como sua visão os guia na selva.

    "Os beija-flores são perfeitos para o estudo da visão das cores na natureza. Esses 'amantes do açúcar' evoluíram para responder às cores das flores que anunciam uma recompensa de néctar, para que possam aprender as associações de cores rapidamente e com pouco treinamento", disse a cientista.

    Por isso, a equipe de investigadores treinou um grupo dessa espécie para participar em experiências que testassem essa habilidade ao ar livre.

    Experiências realizadas

    O primeiro teste envolveu bebedouros com água açucarada e com água normal, com tubos LED de cores diferentes (incluindo cores não-espectrais), sendo alternados de vez em quando, e evitando que os pássaros utilizassem o cheiro ou outro meio externo para encontrar a recompensa.

    Beija-flor (foto de arquivo)
    © Foto / Pixabay / dMz
    Beija-flor (foto de arquivo)

    Os pesquisadores analisaram 6.000 visitas e viram que os pássaros souberam rapidamente encontrar a cor certa. A equipe não está certa se a cor ultravioleta+vermelha é uma mistura das duas cores, ou uma completamente diferente.

    "Foi incrível assistir", disse Harold Eyster, doutorante da Universidade da Colúmbia Britânica (EUA) e coautor do estudo.

    "A luz ultravioleta+verde e a luz verde nos pareceram idênticas, mas os beija-flores seguiram escolhendo corretamente a luz ultravioleta+verde associada à água com açúcar. Nossas experiências nos permitiram dar uma olhada no que o mundo parece ser para um beija-flor".

    Além disso, os cientistas testaram cores de 3.315 penas e plantas. Mais uma vez, houve diferença na percepção das cores: os beija-flores parecem interpretá-las como não-espectrais, contrariamente aos humanos.

    "As cores que vemos nos campos de flores silvestres em nosso local de estudo, a capital das flores silvestres do Colorado, são impressionantes para nós, mas imagine como são essas flores para os pássaros com essa dimensão extra-sensorial", comentou o coautor David Inouye, investigador da Universidade de Maryland e do Laboratório Biológico Montanha Rochosa, estado do Colorado, ambos nos EUA.

    As experiências da Universidade de Princeton foram realizadas no verão ao longo de três anos, em colaboração também com pesquisadores da Universidade de Harvard, EUA.

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    Tags:
    Universidade de Harvard, Colorado, Universidade de Maryland, EUA, Universidade de Princeton
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