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    A ciência observou que o ser humano conta com genes de outras espécies de hominídeos, como, por exemplo, neandertais e denisovanos.

    A miscigenação de dezenas de milhares de anos com denisovanos afetou a saúde dos humanos atuais, principalmente melanésios, mas também de nativos das Américas.

    Um estudo, realizado pelo Instituto de Pesquisa Genômica e Genérica sem fins lucrativos Wellcome Sanger (Reino Unido) e publicado pela Cell, revela que a herança do hominídeo de Denisova possui uma grande influência em infecções entre a maioria dos habitantes da Papua-Nova Guiné.

    Atualmente, sabe-se que melanésios possuem aproximadamente 2,8% dos genes denisovanos, deste misterioso hominídeo que invadiu a Eurásia. Algumas mutações genéticas são neutras e podem se propagar pela deriva genética aleatória e, em um dado entorno, alguns podem prosperar ou não.

    Reconstrução da aparência do Homo naledi
    © Sputnik / Sergei Pyatakov
    Reconstrução da aparência do Homo naledi

    Na pesquisa foram identificadas aproximadamente dez variações nos melanésios que se originaram dos denisovanos e parecem ter persistido graças à seleção natural. Entre as dez havia um gene conhecido como AQR. Os habitantes do país polinésio possuem uma variação deste gene herdado dos denisovanos, que afeta a forma em que seus sistemas imunológicos reagem a vírus, o que é considerado por especialistas uma "variante medicamente importante".

    "Se acredita que a população que deu origem a todos os humanos modernos da atualidade se cruzou com os neandertais assim que se expandiram para fora da África há 60 mil anos. A miscigenação com os denisovanos, segundo estimativas, ocorreu há 50 mil anos", afirmou Mohamed Almarri, que liderou o estudo, ao jornal Haaretz.

    "A população humana moderna que deu origem aos papuas modernos se cruzou posteriormente com uma população denisovana, o que resultou na grande proporção de seu genoma que é de ascendência denisovana inexistente na Eurásia", agregou.

    No leste da Ásia, aproximadamente 0,2% do DNA é de origem denisovana; nos europeus é ainda menor; e nos papuas e aborígenes australianos gira em torno de 2,8% a 3%. Almarri salienta que os papuas e aborígenes da Austrália são uma população que se separou há 37 mil anos.

    Além do mais, descobriu-se que os nativos americanos, que originalmente vieram da Ásia e cruzaram as Américas há 20 mil anos quando os níveis do mar eram baixos, têm características em seu gene MS4A1 herdadas dos neandertais. Esta distinção poderia afetar os tratamentos para leucemia em diferentes populações.

    Descobertas na Papua-Nova Guiné

    O gene AQR, característico dos papuas, desempenha um papel na detecção de vírus e na regulação da resposta antiviral imune. Outros estudos têm demonstrado que este gene reconhece e regula a resposta a vírus como o HIV.

    Os australianos aborígenes muito possivelmente contam com o gene AQR. "A miscigenação dos denisovanos ocorreu antes que a das populações que se separaram", acrescentou Almarri, mas não foi possível verificar esta teoria porque o projeto de diversidade do genoma humano que se baseou o trabalho não contém populações aborígenes australianas.

    Um atributo denisovano que conhecemos hoje se encontra nos tibetanos, que herdaram uma tolerância ao frio extremo. Contudo, a proporção tibetana da herança denisovana não é excepcional, comenta Almarri.

    O descobrimento de variações previamente desconhecidas em genes medicamente importantes poderia afetar a eficiência de tratamentos para diferentes populações, concluiu o estudo. O que funciona em uma população, poderia não funcionar em outra.

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    Tags:
    DNA, história, evolução, humanidade
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