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    Escavações arqueológicas nas profundezas das florestas tropicais do Sri Lanka permitiram desenterrar as mais antigas evidências de caça com arco e flecha fora da África.

    Em Fa-Hien Lena, uma caverna pré-histórica no coração das florestas úmidas do Sri Lanka, antigo Ceilão, foram descobertas ferramentas feitas de pedra, osso e dente, incluindo uma série de dardos de flechas esculpidos a partir de osso, datados de há cerca de 48.000 anos.

    Um grupo de cientistas da Universidade de Griffith (Austrália) e do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana (Alemanha) publicaram em 12 de junho na revista Sciences Advances um estudo em que anunciaram e relataram a descoberta.

    Os arqueólogos consideram que foi a aptidão humana para comportamentos simbólicos, tecnológicos e sociais que possibilitou ao Homo sapiens se expandir rapidamente através da maioria dos continentes da Terra durante o Pleistoceno Final, incluindo nas desafiadoras florestas tropicais.

    "Sendo um dos mais antigos locais de floresta tropical fora da África, [o local] fornece as primeiras evidências detalhadas sobre como a nossa espécie enfrentou os desafios extremos de adaptação com que se confrontou na Ásia durante a expansão global", diz o estudo.

    Mas quando afinal foi inventado o arco e flecha?

    A invenção do arco e flecha permitiu que as pessoas caçassem animais a uma distância muito maior, aumentando em muito as chances de uma caçada bem sucedida.

    Flechas de 48.000 anos revelam inovação humana precoce nas florestas tropicais do Sri Lanka

    Os arcos e flechas também tornavam muito mais segura a caça de presas perigosas ou de grande porte, ao evitar uma perigosa aproximação.

    Contudo, a origem do arco e flecha é um dos grandes mistérios da inovação tecnológica humana. Como surgiu? Quando surgiu? Onde? E por quê?

    Segundo refere o artigo, os achados mais antigos do uso do arco e flecha foram encontrados na caverna Sibudu, na África do Sul, tendo cerca de 64.000 anos de idade, enquanto os da Europa, na Alemanha, datam de não mais de 18.000 anos.

    Como os arcos e flechas são feitos principalmente de materiais altamente degradáveis como madeira, tendões e fibras vegetais, torna-se difícil para os arqueólogos encontrar evidências.

    Uso do arco e flecha no Sul da Ásia pode remontar a 48.000 anos, diz estudo

    Por isso, referem os pesquisadores, os pequenos dardos recuperados em Fa-Hien Lena são uma descoberta importante.

    Os pequenos dardos mostram que eram fixados a uma pequena haste e atirados em alta velocidade contra presas - que aparentemente eram em sua maioria macacos pequenos e esquilos gigantes - a julgar pelos ossos jogados no local após as refeições e recuperados também pelos cientistas.

    Ferramentas complexas, mentes complexas

    A descoberta destas antigas pontas de flecha óssea é surpreendente por si só.

    "Também encontramos outras ferramentas que dão uma visão igualmente rara da vida dos primeiros membros de nossa espécie no Sri Lanka", escreve-se no estudo.

    Particularmente interessantes são as facas bem conservadas, raspadores e furadores feitos de ossos e de dentes de macacos e cervos, que eram usados para trabalhar peles ou materiais vegetais.

    "Essas ferramentas são nossa única maneira de aprender algo sobre os itens perecíveis porque qualquer coisa feita de couro ou fibra vegetal, como roupas, bolsas, cestas, tapetes ou redes, não teria chance de sobreviver 48.000 anos em um ambiente tropical úmido", assinalam os cientistas.

    A título de exemplo, os arqueólogos referem um artefato encontrado no local que parece ter sido utilizado para tecer redes.

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    Estes pioneiros da floresta tropical também deixaram provas de sua vida social na forma de contas de conchas brancas e pequenos blocos de pigmentos minerais de cores vivas: vermelho, amarelo e prata.

    Cada uma das "pedrinhas" de pigmento mostra sinais de terem sido usadas para criar tintas para o corpo, e três delas, vermelhas brilhantes, foram perfuradas para serem enfiadas como contas - algo que não encontramos em nenhum outro lugar do mundo.

    As contas de conchas brancas, por outro lado, são semelhantes às encontradas na África e Eurásia, mas foram coletadas ou comercializadas a partir da costa a cerca de 20-30 quilômetros de distância.

    "Com estas descobertas, está ficando cada vez mais claro que só agora começamos a 'arranhar' a superfície relativamente a entender as primeiras comunidades humanas [do Homo sapiens]", conclui o artigo.

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    Tags:
    arqueologia, África, caverna, Sri Lanka
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