06:27 09 Julho 2020
Ouvir Rádio
    Ciência e tecnologia
    URL curta
    0 20
    Nos siga no

    Paleontólogos russos criaram o primeiro modelo virtual 3D detalhado do cérebro e vasos sanguíneos da cabeça de um anquilossauro, um dinossauro herbívoro.

    Os anquilosauros surgiram na Terra em meados do período Jurássico – há cerca de 160 milhões de anos – e existiram até o final da era dos dinossauros, que ocorreu há 66 milhões de anos.

    Reconstituição em 3D

    A reconstituição foi possível recorrendo a fragmentos de crânio encontrados no Uzbequistão e datados do Cretáceo Superior, tendo os resultados do estudo sido publicados na revista Biological Communications.

    Os referidos fragmentos dos crânios fósseis do anquilossauro da espécie Bissektipelta archibaldi foram descobertos durante uma série de expedições internacionais no final dos anos 90 e início dos anos 2000 na área de Jarakuduk, no deserto do Kyzyl Kum Central, no Uzbequistão.

    A área é conhecida por sua riqueza em fósseis de vários representantes da fauna antiga de cerca de 90 milhões de anos – dinossauros, pterossauros, crocodilos, aves, mamíferos e outros vertebrados.

    Os autores do estudo, paleontólogos da Universidade de São Petersburgo, juntamente com colegas do Instituto Zoológico da Academia de Ciências da Rússia e do Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsonian dos EUA, conseguiram fazer a primeira reconstrução tridimensional em computador de um cérebro de dinossauro, ou seja, um molde digital do seu cérebro.

    Reconstrução tridimensional virtual do cérebro de um anquilosauro Bissektipelta archiba
    © Foto / Ivan Kuzmin et al., 2020
    Reconstrução tridimensional virtual do cérebro de um anquilosauro Bissektipelta archiba
    "Graças ao desenvolvimento da tomografia computadorizada nos últimos 15-20 anos, temos sido capazes de aprender cada vez mais sobre o cérebro dos dinossauros e sua estrutura", afirmou à mídia o autor principal do artigo, Ivan Kuzmin.

    Contudo, ele alertou que a "'composição' digital do cérebro ainda não é o próprio cérebro".

    Características do cérebro

    Após três anos de trabalho intenso, os cientistas apuraram que uma parte significativa do cérebro do Bissektipelta archibaldi – cerca de 60% – era ocupada por bulbos olfativos.

    Segundo os cientistas, isso ajudava o animal a procurar alimentos, representantes do sexo oposto e a sentir a aproximação de predadores.

    O poder de seu olfato seria quase tão apurado quanto o do famoso predador Tyrannosaurus rex, cujos bulbos olfativos ocupavam 65-70 por cento do volume dos grandes hemisférios cerebrais.

    "Outra característica interessante do anquilosauro que descobrimos foi sua capacidade de literalmente esfriar o cérebro", como se "colocasse um chapéu de sol", acrescentou Kuzmin.

    Curiosamente, a rede vascular endócrina dos anquilosauros revelou-se mais semelhante aos vasos dos lagartos modernos que aos dos parentes sobreviventes dos dinossauros – crocodilos e aves.

    Réplica de um anquilosauro no parque de dinossauros JuraPark Baltow
    Réplica de um anquilosauro no parque de dinossauros JuraPark Baltow

    Os paleontólogos conseguiram restaurar a estrutura do ouvido interno do antigo animal. Sua anatomia sugere a gama de sons que o anquilosauro podia ouvir – de 300 a 3.000 hertz.

    Trata-se de frequências bastante baixas, que devem corresponder ao tamanho do próprio animal.

    "As espécies animais modernas são caracterizadas por certas proporções entre o tamanho do cérebro e o do corpo. Quanto maiores os animais modernos, mais baixa a frequência de sons que eles ouvem e emitem", continuou o cientista.

    Seu cérebro era muito pequeno. "No entanto, os anquilosauros existiram no planeta durante 100 milhões de anos e foram bastante bem-sucedidos em termos de evolução. Contudo, a julgar pelo tamanho de seus bulbos olfativos, eles cheiravam mais rápido do que pensavam", rematou Kuzmin.

    Os autores supõem que durante sua evolução os anquilosauros aumentaram de tamanho, mas para entender o tamanho de seu cérebro, bem como saber exatamente onde suas partes, vasos e nervos estavam localizados, seriam necessárias mais pesquisas.

    Mais:

    Asteroide que extinguiu dinossauros teria impactado a 'ângulo mortal' contra Terra
    Paleontologistas descobrem 'última refeição' de dinossauro que viveu há 110 milhões de anos (FOTOS)
    Devoradores de dinossauros: onde viviam as criaturas antigas mais temíveis na Terra?
    Tags:
    cérebro, dinossauro
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar