18:41 16 Junho 2021
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    Paleoantropóloga canadense está tentando provar sua teoria sobre a capacidade de desenhar e se comunicar dos neandertais, o que desvendaria um mistério de 40 mil anos.

    Genevieve von Petzinger, paleoantropóloga especialista em pinturas rupestres da Universidade de Victoria, da província canadense da Colúmbia Britânica, está em uma posição muito boa para encontrar o que ela apelidou de Santo Graal da sua área de estudo.

    Especializada em arte rupestre europeia, acabou de receber uma bolsa da National Geographic para testar material genético em pinturas e inscrições de 40.000 anos de caverna na Espanha, informa a CBS Canadá.

    Pergunta de 1 milhão de dólares

    Genevieve crê igualmente que marcas em paredes de cavernas como a de El Castillo, na Espanha, podem ter feito parte de um sistema de comunicação gráfica da Era do Gelo, muito antes de a escrita ter sido inventada.

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    Публикация от Dillon von Petzinger (@dillonvonpetzinger)

    Testes de DNA, que revelariam mutações genéticas devido à evolução, poderiam ajudar a identificar o período de tempo em que uma pintura ou uma inscrição foi feita e determinar se a arte foi realmente obra do Homo sapiens ou de neandertais, que viveram cerca de 130 mil a 40 mil anos atrás.

    "Seria tão fascinante identificar a autoria", afirmou a paleoantropóloga, acrescentando que a "pergunta de um milhão de dólares é: foram os neandertais que pintaram?".

    Segundo von Petzinger, já há indícios de que essa espécie extinta detinha, realmente, dotes artísticos.

    A paleoantropóloga se refere ao fato de alguns de seus colegas terem testado amostras de minerais que encontraram cobrindo desenhos de cavernas, datando-os de 65.000 anos, o que, para von Petzinger, aponta para que a arte por baixo seja mais antiga e, portanto, desenhada por neandertais.

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    Contudo, acrescentou Genevieve, o método de datação utilizado não colheu unanimidade no seio da comunidade científica, pelo que lhe ocorreu recorrer a testes genéticos para obter uma resposta definitiva.

    "Os testes genéticos podem até indicar o gênero do artista e possivelmente levar a encontrar um descendente vivo", observou von Petzinger.

    "Isto seria uma novidade mundial!", exclamou, não escondendo a emoção.

    Von Petzinger disse que é incrivelmente grata aos colegas, ao governo espanhol e à National Geographic por estarem dispostos a acreditar em sua "ideia maluca".

    A paleoantropóloga está cautelosamente otimista, visto que outros pesquisadores tiveram sucesso testando material genético encontrado em detritos no chão de cavernas na Croácia. O sucesso de colegas poderia ser conseguido por ela com a análise das substâncias da tinta.

    Surge grande problema

    Bolsa recebida e com tudo devidamente planejado e organizado, a pandemia do coronavírus deu uma reviravolta nos planos da paleoantropóloga.

    A pesquisadora conta que voltará às cavernas, onde antes passava uma quantidade significativa de tempo fazendo trabalho de campo, apenas em 2021.

    Até lá, vai mantendo contato com colegas on-line, sendo esta pausa forçada o momento ideal para os cientistas empreenderem os indispensáveis trabalhos de análise estatística, enquanto não forem possíveis as saídas de campo.

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    Tags:
    Canadá, Espanha, arte rupestre
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