06:57 26 Setembro 2020
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    Há 150 milhões de anos, as regiões que hoje são o Saara, o oeste da América do Norte e o deserto de Gobi, na Mongólia, eram infestadas de verdadeiros predadores gigantes.

    Após a divisão do supercontinente Pangeia, a África se tornou um continente banhado ao norte pelo mar de Tétis – futuro mar Mediterrâneo.

    Enquanto isso, onde hoje está situado o deserto do Saara havia o largo delta de um rio antigo, semelhante ao Amazonas.

    Em meados do período Cretáceo aí se formou a comunidade de animais mais incomum das que são conhecidas até agora. No norte do Saara, mais precisamente na região do Kem Kem, foi encontrada uma grande quantidade de ossos de vertebrados, sobretudo de predadores.

    Contudo, os pesquisadores descobriram algo incomum: pelo menos quatro tipos de grandes lagartos viviam ali. Eram eles o Espinossauro, Carcharodontossauro, Deltradromeus e um representante dos abelisaurídeos.

    Os três primeiros eram grandes carnívoros terrestres com comprimento superior a 13 metros. Seus maiores concorrentes eram os voadores Pterossauros, os antepassados dos crocodilos – Sarcosuchus de crânios de dois metros, peixes celacantos, tubarões e tartarugas.

    Enquanto neste período as outras regiões do planeta eram habitadas por um ou dois dinossauros carnívoros e uma grande quantidade de herbívoros, em Kem Kem o cenário era ao contrário.

    Em estudo publicado pelo portal científico ZooKeys, cientistas dos EUA, Canadá, Europa e Marrocos explicaram que em sua maior parte os animais do delta se alimentavam de peixes, o que lhes dava uma biomassa rica em proteínas e calorias, capaz de alimentar muitos grandes predadores.

    Predadores na Mongólia

    Atualmente, o deserto de Gobi na Mongólia é rico em fósseis de dinossauros, apontando para um passado bem diferente da região árida.

    Também no período Cretáceo, o local tinha no topo de sua pirâmide alimentar os enormes Alioramus e Tarbosauros, parentes próximos dos Tiranossauros.

    Tarbosauro (ilustração gráfica)
    © Depositphotos / Digitalstudio
    Tarbosauro (ilustração gráfica)

    Durante muito tempo, cientistas pensaram que os Tarbosauros, assim como todos os Tiranossauros, não podiam caçar individualmente devido ao seu peso e por serem "maljeitosos", incapazes de se mover em alta velocidade.

    Além disso, suas patas dianteiras reduzidas tornavam impossível pegar a presa somente com a mandíbula.

    Contudo, nos esqueletos dos dinossauros herbívoros foram encontradas marcas de mordidas de tais predadores, o que significa que os Tarbosauros caçavam e corriam atrás de suas presas.

    Oeste selvagem

    Cerca de 150 milhões de anos atrás o oeste da América do Norte foi o habitat de muitos Allosauros.

    Naquela época, o continente era mais ao sul do que é hoje, tendo um clima mais seco e quente, com temperaturas acima dos 40 °C e secas muito prolongadas.

    Mesmo assim, a região se tornou rica em dinossauros herbívoros que alcançavam mais de 27 metros de comprimento.

    Para entender a biodiversidade em um ambiente inóspito, uma das hipóteses explica que dinossauros tais como os Diplodocos e os Apatossauros seriam capazes de resistir a fome por muito tempo e possuíam uma digestão eficiente.

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    Tags:
    Gobi, Mongólia, América do Norte, África, Saara, tiranossauro rex, dinossauro
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