22:50 27 Maio 2020
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    O Departamento de Comércio dos EUA anunciou novas restrições de venda de semicondutores à Huawei e Departamento de Estado diz estar analisando "as tentativas de contornar as regras".

    O Departamento de Comércio dos EUA impôs licenças obrigatórias a produtores mundiais para a venda de semicondutores à Huawei que sejam feitos usando tecnologia dos EUA. A regra não cobre os chips que são enviados diretamente para os clientes da Huawei, o que gera preocupações nos EUA de que a empresa possa se aproveitar dessa lacuna.

    As autoridades norte-americanas indicaram que podem restringir ainda mais as leis que visam limitar as vendas globais de chips ao gigante tecnológico chinês.

    Na semana passada, o Departamento de Comércio dos EUA anunciou uma nova regra que exige que as empresas estrangeiras obtenham uma licença norte-americana para poderem vender semicondutores à Huawei fabricados com tecnologia dos EUA.

    A restrição expandiu o controle de Washington sobre o fornecimento de chips, que anteriormente cobria apenas equipamentos fabricados nos Estados Unidos. A TSMC, sediada em Taiwan, uma das principais fornecedoras de chips para a filial de semicondutores HiSilicon da Huawei, já suspendeu novas encomendas para cumprir as regras dos EUA.

    Tanto a Huawei como a China criticaram a nova proibição, e Pequim ameaçou retaliar. Um mês antes do anúncio da nova restrição, a Huawei tinha começado a reduzir a produção de chips em Taiwan e a transferi-la para a China continental.

    O presidente da China, Xi Jinping, e o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, chegam ao Congresso Nacional do Povo, em Pequim, no dia 22 de maio de 2020.
    © REUTERS / CARLOS GARCIA RAWLINS
    O presidente da China, Xi Jinping, e o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, chegam ao Congresso Nacional do Povo, em Pequim, no dia 22 de maio de 2020.

    As novas licenças do Departamento de Comércio só se aplicam a chips concebidos pela Huawei, e não incluem as entregas diretas aos clientes da companhia chinesa, algo que os observadores da indústria chamam de lacuna.

    Em resposta à pergunta se os EUA iriam fazer algo para tapar essa lacuna, Christopher Ashley Ford, funcionário do Departamento de Estado, disse aos repórteres na quarta-feira (20) que a própria regra forneceria ao governo "muito mais informações para fundamentar as decisões de controle de exportação, à medida que avançamos e tentamos encontrar a resposta certa para esses desafios, inclusive por meio de adaptação, se necessário, se a Huawei tentar contornar nossas regras de alguma forma".

    Um funcionário do Departamento de Comércio, Cordell Hull, disse no mesmo briefing que os reguladores "vão analisar as tentativas de contornar as regras".

    A administração Trump explorou várias outras formas de pressionar a Huawei, proibindo a empresa de concorrer a licitações do governo norte-americano e de fazer negócios com corporações dos EUA.

    Ações anti-Huawei anteriores

    Em dezembro de 2018, a diretora financeira da companhia chinesa, Meng Wanzhou, foi detida no Canadá e levada a tribunal com o objetivo de ser extraditada para os EUA sob acusação de fraude financeira com empresas que teriam violado proibições de comércio com o Irã. O Departamento de Justiça dos EUA ordenou a investigação.

    Os EUA justificam as ações dizendo que a Huawei roubou propriedade intelectual e está espionando em nome do governo chinês, embora nenhuma evidência tenha sido liberada até agora para apoiar essas alegações, que tanto a Huawei quanto a China negam.

    De acordo com muitos especialistas, a repressão contra a Huawei se encaixa em uma estratégia mais ampla de procurar minar a crescente influência política e econômica de Pequim.

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    Tags:
    Departamento de Estado dos EUA, Departamento de Comércio dos EUA, China, Huawei, EUA
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