17:35 25 Novembro 2020
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    Através de estudos genéticos, pesquisadores avaliaram a história da população da região do lago Baikal, encontrando a conexão mais profunda até hoje registrada entre nativos americanos e siberianos.

    Utilizando genética de populações humanas, genômica antiga de patógenos e análise de isótopos, o estudo atual também demonstra a mobilidade humana e, portanto, a conectividade em toda a Eurásia durante o início da Idade do Bronze.

    Durante o estudo, cujos resultados foram recém-publicados na revista Cell, a equipe de cientistas descobriu restos mortais do indivíduo mais velho já estudado com ascendência semelhante à dos ameríndios.

    O fóssil encontrado, um dente altamente fragmentado, foi escavado em 1976 no local Ust-Kyakhta-3, localizado perto do lago Baikal, no sul da Sibéria.

    Vista do rio Selenga no sítio arqueológico de Ust-Kyakhta-3, na Sibéria
    © Foto / G. Pavlenok
    Vista do rio Selenga no sítio arqueológico de Ust-Kyakhta-3, na Sibéria

    Depois de sequenciar o genoma ósseo, os cientistas descobriram que o indivíduo, que viveu 14.000 anos atrás, veio de duas linhagens genéticas: os antigos eurasianos do Norte e os asiáticos do nordeste. Uma mistura semelhante é inerente aos povos indígenas da América, indicam os pesquisadores.

    "Este estudo revela a ligação mais profunda entre os siberianos do Paleolítico Superior e os primeiros americanos", diz He Yu, um dos autores do estudo, do Instituto Max Planck (Alemanha). "Acreditamos que isso possa lançar luz sobre estudos futuros sobre a história da população nativa americana."

    Fragmentos de dente encontrado em 1962 durante escavações no sítio arqueológico de Ust-Kyakhta-3, na Sibéria
    © Foto / G. Pavlenok
    Fragmentos de dente encontrado em 1962 durante escavações no sítio arqueológico de Ust-Kyakhta-3, na Sibéria

    A mesma proveniência também é evidente em outro genoma que é um pouco mais recente e data do Mesolítico. Dado que o indivíduo em questão foi encontrado no nordeste da Sibéria, a milhares de quilômetros do Baikal, pode-se sugerir que a população à qual ambos pertenciam estava distribuída por uma área muito maior do que se pensava anteriormente. Além disso, há evidências de que ele frequentemente teve contatos genéticos com os antigos eurasianos do Norte, pois a proporção de seus genes muda com o tempo.

    "O genoma do Paleolítico Superior fornecerá um legado para estudar a história genética humana no futuro", disse Cosimo Posth, principal autor do estudo.

    Os cientistas agora querem identificar quando e onde se uniu a herança genética dos ameríndios.

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    Tags:
    genoma humano, Lago Baikal, genética, Américas, Sibéria
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