03:22 30 Maio 2020
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    Observações feitas através de um simulador das condições marcianas permitiram a uma equipe internacional de cientistas concluir que não é rocha derretida a causa desses movimentos.

    Um grupo de pesquisadores internacionais analisando a composição de Marte descobriu recentemente que os fluxos parecidos com lava observados na superfície do planeta distante são muito provavelmente causados por lama, não por rocha derretida.

    Publicado na revista Nature Geoscience na segunda-feira (18), o estudo oferece uma nova e refrescante visão sobre um dos mistérios mais intrigantes que envolvem o planeta vermelho, onde dezenas de milhares de canais de escoamento têm sido fotografados por naves espaciais ao longo dos anos.

    Os cientistas chegaram a suas conclusões usando a Câmara de Marte da Universidade Aberta, Reino Unido, um sistema ambiental semelhante a um refrigerador que permite aos cientistas recriar condições da superfície marciana, imitando tanto a temperatura do planeta como sua pressão atmosférica.

    Embora as autoridades não pudessem levar em conta a gravidade de Marte, visto que o sistema da câmara não a podia simular, os pesquisadores participantes tentaram baixar a pressão da câmara para replicar a atmosfera rarefeita do planeta vermelho e levar a temperatura dentro do sistema a um resfriamento de 20 graus centígrados negativos.

    Uma vez implementados os cenários ambientais desejados, os pesquisadores despejaram lama na câmara e descobriram que a lama em fluxo livre passou por um congelamento rápido, acabando por formar uma crosta congelada.

    Além disso, a equipe determinou que em alguns casos, o fluxo de lama levou à criação de formas semelhantes à lava "pahoehoe", que foi documentada no Havaí e na Islândia. Os pesquisadores determinaram que as formações semelhantes a lava frequentemente ocorriam quando a lama líquida era ejetada da crosta congelada e mais tarde recongelava.

    Declarações dos autores

    O autor principal do estudo, Petr Broz, concluiu em uma declaração à Universidade de Lancaster, Reino Unido, que participou do projeto, que a pesquisa de sua equipe apoia a teoria de que o vulcanismo sedimentar é provavelmente a causa das linhas de fluxo marcianas.

    "O vulcanismo de lama pode explicar a formação de algumas morfologias de fluxo semelhantes a lava em Marte", disse Broz, acrescentando que "processos similares podem se aplicar a erupções de lama em corpos gelados no Sistema Solar exterior, como em Ceres [asteroide localizado entre Marte e Júpiter]".

    Vale ressaltar que quando os pesquisadores replicaram os experimentos sob condições semelhantes às da Terra, os fluxos de lama não reagiram da mesma maneira que reagiram no experimento marciano. Ao invés de congelar, a lama fluía livremente.

    O autor do estudo Lionel Wilson acrescentou em sua própria declaração que seu trabalho "é interessante porque vemos muitas formações de fluxo em Marte em imagens de naves espaciais, mas elas ainda não foram visitadas por nenhum dos veículos itinerantes na superfície, e há alguma ambiguidade sobre se são fluxos de lava ou lama".

    Ao longo dos anos, a NASA implantou um total de quatro rovers em Marte para observar a superfície do planeta: o Sojourner, Spirit, Opportunity e Curiosity. Um quinto veículo robótico, o Perseverance, deverá ser lançado entre julho e agosto de 2020.

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    Tags:
    NASA, Terra, Ceres, Reino Unido, Universidade Aberta do Reino Unido, Marte
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